Aprender a envelhecer nas quatro dimensões
O médico João Batista Lima Filho destaca que os voluntários formados no curso de cuidadores de idosos também aprenderam a envelhecer. Ensinar a tomar parte do processo de envelhecimento é um dos objetivos da Campanha da Fraternidade. ''Quem agora tem 20 anos não é velho, mas em 2050 será'', ressalta o geriatra. A campanha leva em conta os parâmetros ideais criados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para os idosos, baseado nas quatro dimensões física, mental, social e espiritual da vida humana.
Na física, estão alguns dos maiores problemas, como a perda de memória, o urinar solto, a imobilidade e o excesso ou a falta de medicamento. Mas o transcendente, o espiritual, não pode ser esquecido. ''O ser humano se constrói fisicamente até os quinze anos, depois se constrói psicológica, social e espiritualmente, ao longo de todo o seu período de vida'', lembra Lima.
O idoso, continua o médico, precisa entender que tem a idade que tem, e não pode viver como se tivesse 18 anos. Ele prega que a sociedade não se preparou para envelhecer. A dificuldade decorrente é explicitada pelo fato de que a pessoa da terceira idade costuma encarar tudo o que acontece consigo de forma negativa. Lima não gosta de enquadrar o idoso dentro de uma classe homogênea, de forma generalizada. ''Pessoas são diferentes em todas as idades, e em todas as idades têm suas dificuldades regionais'', salienta o coordenador da Pastoral da Terceira Idade.
Ele exemplifica a questão com o maior aglomerado urbano de idosos no Brasil está em Copacabana, no Rio de Janeiro. ''Não dá para comparar o idoso de Copacabana, que tem um calçadão adequado para passear, tem professor de educação física à disposição na praia, com o cidadão da terceira idade de locais menores e mais pobres''. A orientação básica aos mais velhos e seus familiares é dizer não ao isolamento. ''Ele torna-se uma doença tão ou mais séria do que os problemas físicos'', adverte.





