Londrina - A orientação é bem clara e serve para todos: não se deve reagir a um assalto. Porém, em alguns casos é possível se armar com técnicas de defesa pessoal que podem servir para neutralizar o agressor e, assim, escapar para buscar ajuda.
Essa é a primeira lição que as mulheres aprenderam no curso básico de Defesa Pessoal Urbana e Dicas de Segurança, ofertado pelo Centro Universitário Filadélfia (Unifil). A aula aconteceu ontem e uma segunda turma passa pelo treinamento de três horas hoje.
Cerca de 70 mulheres se inscreveram e a maioria teve o primeiro contato com as artes marciais através do curso. Ministrada pelo policial civil e instrutor de muay thai Anderson Castilho "Moska", a oficina foi 100% prática, com técnicas de golpes, imobilizações, defesa de ataques de faca, bastão e arma de fogo.
"O objetivo é que elas aprendam noções básicas de defesa para neutralizar o agressor quando possível e conseguir fugir para buscar ajuda. No entanto, reforçamos que não se deve revidar, até mesmo porque a disparidade da força masculina é muito grande", explica.
Com a ajuda dos instrutores Bruno Dias e Tiago Mendes, Moska ensinou algumas formas de se evitar socos no rosto e até golpes nas partes baixas. "Pela violência que vivenciamos, um curso como esse tem sua utilidade para as mulheres. É claro que não se aprende tudo em um só dia. Quanto mais treino, melhor fica. Hoje, elas estão tendo apenas uma noção básica", diz.
A dona de casa Elizabeth Oka se inscreveu com o objetivo de aprender dicas básicas de segurança, mas revela ter tido uma boa surpresa. "Estou gostando porque tem bastante exercício que é novidade para mim. De qualquer forma, é bom para o corpo e me deixa mais esperta nas situações do dia a dia", afirma.
A esteticista Aline Corsini Batista só conhece o balé como modalidade esportiva, mas não pensou duas vezes em participar do curso de defesa. "Tenho muito medo de assalto e sou cautelosa. Resolvi me inscrever para ter pelo menos uma noção de defesa. Pretendo continuar treinando em casa e quem sabe até entrar para uma academia. De certa forma, vou me sentir um pouco mais segura", salienta.
Já para a designer Vera Moraes, os golpes e técnicas de artes marciais não são novidade, mas sua história é um grande incentivo para muitas mulheres. "Treino há seis anos. Fui atrás das aulas após ter apanhado do meu namorado. Eu não queria passar por isso de novo e busquei superar o trauma e resgatar a autoconfiança. Hoje, conto minha história para incentivar outras mulheres porque somos capazes de reagir a certas agressões", declara.
A aula de Defesa Urbana para Mulheres integra a grade de 280 cursos de férias ofertados a toda comunidade. Em sua 14ª edição, a programação já é bastante aguardada pela população neste período e prova disso é o recorde de inscrições que neste ano chegou a 6.700 interessados.

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