Aprendendo a negociar
Além de uma simples coleção, o hábito de comprar figurinhas também tem revelado outras características dos adolescentes: eles são ótimos negociadores. É só ficar pouco tempo entre um grupo que já começam as trocas, com valores todos próprios. ''Me dá uma Mia Colluci, que eu te dou dois Diegos'', é a fala recorrente entre os fãs da ''Rebelde''. Ou então: ''Eu lhe dou dois brasileiros e você me dá dez de outras seleções'', barganham os meninos que explicam que a seleção brasileira é a mais valorizada.
Mohamad Amini Issa, de 11 anos, conta que já lhe ofereceram duas ''superfigurinhas'' por cinco reais. Se é caro? ''Ah, dependendo de quem é (entre os jogadores) vale a pena'', explica. Os envelopes da Copa do Mundo custam R$ 0,60 e vêm com seis colantes, enquanto os ''rebeldes'' custam R$ 0,50 e têm um cromo a menos. O colega de Mohamed, João Henrique Vezozzo, revela, sem querer, o cenário de negociações entre as crianças: ''Na hora do intervalo, é só você ver um grupinho e ir até lá. Pode ter certeza que está todo mundo trocando ou vendendo. Até meninos do 1º Colegial vêm negociar'', conta.
O gerente da distribuidora Panini, Lúcio Bante, explica que a criação de formas próprias de negociação e, por consequência, de argumentação é um dos benefícios do costume de colecionar figurinhas. ''Vários estudantes e professores universitários já fizeram estudos que apontam que este hábito é importante para a socialização das crianças'', argumenta. Ele ainda aponta que entre as crianças mais novas normalmente os álbuns atraem pequenos de seis a 14 anos , a mania ajuda o desenvolvimento da coordenação motora, para colar as figurinhas corretamente, e a sequência numérica lógica, para acompanhar a numeração dos colantes.
Entre os meninos do Universitário, a vontade de fazer coleção de figurinhas da Copa do Mundo ganha peso pela curiosidade de conhecer melhor os países envolvidos no campeonato. ''Além de ser legal conhecer melhor os jogadores, saber quem fez aquele gol que você achou bonito, é importante para conhecer os outros países que a gente nem imaginava que existia'', explica David Dequech. (G.B.)





