Aprendendo a consumir desde cedo
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Mie Francine Chiba<br>Especial para a Folha 
''Mãe, eu quero!'' Não há quem já não tenha ouvido essa frase, seja ao assistir televisão ou ao passear no shopping com o filho. Cercado de informações por todos os lados, as crianças têm cada vez mais poder de decisão.
''Eles já sabem o que querem. Dizem 'quero essa roupa' ou 'quero esse doce''', conta a médica Fabiane Fujii. ''As crianças têm, sim, poder de decisão. Elas têm muita informação'', acrescenta a apresentadora Lenise Queiroz.
A principal medida, segundo pedagogos, é ensinar, desde cedo, o conceito do dinheiro e a importância de fazer economia, para que tais questões tornem-se agradáveis e não um sacrifício. ''Criança precisa aprender que economizar vale a pena, é gostoso, porque assim eu posso atingir um objetivo'', explica a supervisora pedagógica do Colégio Universitário, Verlaine Danieli.
Projeto de alfabetização financeira no colégio aborda teoria e prática para alunos da Educação Infantil. ''A gente trabalha valores de honestidade, de generosidade e de empatia para a criança não ver o dinheiro só como 'tenho isso, ganho isso.'''
De acordo com a pedagoga, os pequenos também precisam aprender que o dinheiro está ligado à realização de sonhos e não somente às realizações momentâneas. ''É importante planejar, saber como vai conseguir esse dinheiro, depois vai ter que poupar, abrir mão de alguns desejos para poder comprar o que quer.'' Ano passado, os alunos do projeto comercializaram sucos, ideia que partiu deles mesmos.
Verlaine observa que muitos pais erram na falta de autoridade e ao ensinar conceitos de forma errônea. ''O estojo tem que ser o mais caro? Material escolar não é uma questão de moda, é uma questão de ferramenta, de necessidade básica. O que é uma mesada para o pai? A mesada tem que estar atrelada a alguma coisa. Não dar pelo dar.''
A apresentadora Lenise Queiroz conta que levou a filha Manuela, de 5 anos, para escolher um par de tênis. A menina provou vários pares, e segundo conta a mãe, o tênis da moda, que faz acender luzes, lhe agradou, mas não era o que Lenise procurava. ''Ela sabe o que quer, mas não muda o meu poder de decisão.''
Fabiane e seu marido Leandro Fujii, ambos médicos, ressaltam a importância de inserir os pequenos na rotina financeira da família. Desde pequenos, Leonardo, 5, e Guilherme, 3, acompanham os pais no trabalho. ''Eles sabem que daqui é que vem o dinheiro.''
Os filhos também acompanham o casal no supermercado. Dessa maneira, eles aprendem que, mais importante que os doces e salgadinhos, são os alimentos essenciais. ''A gente coloca um limite. Chorar, eles choram mesmo. A criança precisa descobrir até onde o choro incomoda os pais, até onde ela pode ir'', avalia Fabiane.


