Explosões de raiva por qualquer motivo, insônia, enxaqueca, depressão, taquicardia, dor de estômago. O estresse manifesta-se de várias maneiras. De acordo com a psicóloga Marilda Lipp, fundadora do Centro Psicológico de Controle do Stress, em São Paulo, antigamente o estresse era confundido com um 'chilique' ou um ataque de nervos. Hoje, diz ela, os médicos já estão aptos a reconhecer os sintomas e até a população sabe identificar o problema. Praticar atividades físicas, conviver mais com a família e ter hobbies, como tocar violão, são alternativas apontadas por entrevistados pela reportagem para combater o estresse.

Os sintomas, segundo a psicóloga, podem ser divididos em três categorias: físicos (náuseas, formigamento, enxaqueca, artrite, doenças cardiovasculares, diarreia, taquicardia, ranger de dentes, queda de cabelo, manchas de pele, entre outros); cognitivos (déficits de concentração e atenção, prejuízo de memória) e emocionais (medo, ansiedade e baixa estima).

Com relação às profissões, estariam mais propensos ao estresse os policiais, juízes e pilotos de avião, afirma Marilda. E quem é mais estressado, o homem ou a mulher? Segundo ela, o estresse chega a ser duas vezes mais frequente no sexo feminino, independentemente das camadas sociais e faixas etárias.

''Há várias razões para isso, uma delas pode ter raiz na maneira como a sociedade trata a mulher desde criança, sempre disponível para atender às demandas de terceiros'', explica. ''Outra possibilidade seria a sobrecarga de trabalho. Ainda surge como hipótese a forma como ela lida com os fatores de estresse. O homem, em geral, é 'mais objetivo', parte logo para a resolução do problema. A mulher, muitas vezes, sofre e rumina os problemas, vivendo-os inúmeras vezes''.

Corda bamba

A prática do triatlon é a principal arma utilizada pelo capitão do Corpo de Bombeiros de Londrina Wilson Oliveira Paulino para combater o estresse da profissão. Além de cumprir expediente das 8 horas às 17h30, diariamente ele também faz plantões de acordo com a escala do grupamento.

''Vivo dois tipos de estresse: o das emergências, quando temos de ter respostas rápidas e certas para salvar vidas; e o estresse das rotinas administrativas, quando tenho que resolver os assuntos mais burocráticos e lidar com questões como falta de efetivo e recursos'', sintetizou.

O oficial aboliu o carro do dia a dia e reveza bicicleta e corrida para ir e voltar do trabalho. ''É nesse momento que faço minhas refexões diárias. Além disso, passo pelos quatro lagos, aproveito a paisagem e ainda consigo evitar o estresse do trânsito, o que não aconteceria se estivesse de carro'', disse ele, que tem dois filhos pequenos e pratica esportes também para dar o bom exemplo aos pequenos.

A juíza Cristiane Tereza Willy Ferrari acumula o trabalho na 2 Vara de Família com a Justiça Eleitoral. Mãe de duas crianças de 7 e 12 anos, cumpre também obrigações domésticas como a administração da rotina da casa e dos filhos. ''É uma vida muito estressante. Às vezes me sinto na corda bamba'', comparou.

Acostumada a levar trabalho para casa, a magistrada já teve dias ainda mais assoberbados quando acumulava funções na Justiça Eleitoral, na 9 Vara Cível, dava aulas na Escola de Magistratura e era membro da turma recursal do Juizado Especial Cível. Nessa época, a filha de Cristiane teve uma infecção urinária que evoluiu para septsemia, levando a criança à UTI. ''Estava tão envolvida com minhas obrigações diárias que não percebi a evolução da doença. Nessa hora percebi que não poderia acumular tantas funções'', disse.

Apesar de não ter tempo para praticar esportes ou desenvolver hobbies, a juíza aposta no bom convívio familiar como alternativa para lidar com o estresse, que tenta administrar da melhor maneira possível. ''Também procuro aproveitar bem as férias e passar mais tempo com meu marido e filhos nos fins de semana.'' (Com Vera Fiori/Agência Estado)

mockup