O número de apreensões de drogas em Londrina dobrou este ano. Segundo o comandante do 5º Batalhão Polícia Militar (PM), tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, desde janeiro foram efetuadas 140 apreensões, com envolvimento de adolescentes e adultos. No ano passado, a Polícia Militar registrou 74 apreensões relacionadas ao tráfico de drogas.
O comandante disse preferir não opinar sobre a possibilidade de haver grupos de execução na cidade, como afirmou a promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula, em reportagem publicada pela Folha no início do mês. Ele disse que ‘‘não existem focos de crime organizado na cidade’’. ‘‘Trabalhamos em cima das denúncias que são efetuadas e não podemos afirmar isso’’, justificou.
Segundo o tenente-coronel Guimarães, prender os traficantes e usuários de drogas é o ‘‘principal mecanismo para se evitar o aumento desse problema’’. Ele afirma que o trabalho ‘‘vem sendo intensificado desde o início do ano, quando aconteceram os primeiros homicídios relacionados ao tráfico de drogas’’.
Para o delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, João Luiz do Prado, o tráfico de drogas não é um problema local, mas uma ‘‘doença que assola o mundo’’. Segundo Prado, mesmo com o alto índice de homicídios de adolescentes envolvidos com drogas, a hipótese de novos grupos de traficantes estarem atuando na cidade não é ‘‘fundamentada’’.
‘‘Estamos realizando 40 investigações relacionadas ao tráfico de drogas e ainda não dá para afirmar quantas delas apresentam menores envolvidos’’, afirmou o delegado-chefe. Prado também destacou que a participação das pessoas na efetivação de denúncias é de extrema importância para o combate ao crime.
‘‘As pessoas têm medo de denunciar, mesmo tendo a sua identidade mantida em sigilo’’, ressaltou o delegado. ‘‘A denúncia anônima também pode ser feita, mas normalmente é por telefone, e a pessoa está tão nervosa que faltam detalhes importantes para podermos direcionar as investigações’’, acrescentou Prado.
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André, sugere um ‘‘controle maior nas fronteiras do País para impedir a entrada de drogas’’. Ele considera que ‘‘a situação estaria mais controlada se as Forças Armadas estivessem atuando junto nesse controle’’.
O delegado-adjunto também afirma que as pessoas vivem com a certeza de impunidade e que o Código Penal deveria ser mais rigoroso. ‘‘Mas o problema é muito complexo, envolve questões legais e sociais ... e não há uma resposta pronta’’, observa. ‘‘Hoje há tráfico em qualquer beco de favela’’.

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