Apreensões beiram os R$ 30 milhões
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quarta-feira, 01 de janeiro de 1997
Montezuma Cruz <br>Sucursal de Foz do Iguaçu 
O Serviço de Repressão ao Contrabando da Receita Federal exerce, cada vez mais, funções atribuídas por Lei à Polícia Federal. Basta conferir os números de 1996: saíram de circulação, pelas mãos dos fiscais, 435,6 quilos de maconha; 10 quilos de cocaína e mais de 7 mil frascos de lança-perfume (aromatizante de fabricação argentina).
Em cerâmicas e no aterro sanitário de Foz do Iguaçu, funcionários da repartição queimaram 3,5 milhões de pacotes de cigarros contrabandeados de Ciudad del Este, Paraguai. Este volume totaliza 700 milhões de unidades, avaliadas em cerca de US$ 10 milhões. As operações anticontrabando realizadas durante o último ano pela Receita estenderam-se da aduana da Ponte da Amizade aos postos de fiscalização na BR-277 (Rodovia Foz do Iguaçu-Paranaguá).
Com selo de exportação, o cigarro de fabricação brasileira chega ao Paraguai pela metade do preço, para ser comercializado somente naquele país. Mas os sacoleiros compram quase todo volume e transportam o produto para praças e bares das grandes cidades. Por lei, ele não pode ser leiloado. Segundo a presidente da Comissão de Destruição de Mercadorias Apreendidas, Leonir Mendonça, o cigarro está entre os 3 itens de mercadorias estrangeiras mais consumidas por brasileiros.
Os outros são eletrônicos e componentes de informática, que também deixam a fronteira em pequenos aviões, cujos vôos irregulares passam pelos radares da Força Aérea Brasileira, mas não são comunicados.
Ainda na área de atuação com métodos policiais, a Receita apreendeu 85 automóveis, 21 caminhões, 22 ônibus e 3 motocicletas. Parte desse volume pôde ser recuperada, através de recursos judiciais. O volume geral de contrabando apreendido em 96 ultrapassou US$ 27 milhões (cálculo até 30 de novembro último).
Com o pátio tomado por veículos e o depósito de 5,2 mil metros quadrados (terceiro maior do País) lotado com cerca de 40 mil caixas empilhadas, a repartição não dispõe mais de espaço para guardar mercadorias retidas na Zona Primária (Ponte da Amizade) e Secundária (Posto de Fiscalização Bom Jesus, no município de Medianeira, 60 quilômetros ao norte de Foz).
Normalmente, as mercadorias apreendidas deveriam permanecer estocadas apenas 50 dias, entretanto, cargas de pneus demoram pelo menos um ano para serem solucionadas. Há algum tempo, videocassetes e televisores acima de 14 polegadas são enviados ao Ministério da Educação, que os distribui a escolas.
Objetos de pequeno valor - perecíveis e brinquedos - são destinados às secretarias da Criança e Assuntos da Família, do Paraná. A delegada da repartição em Foz, Maria Angélica Toledo de Castro, quer resolver o problema da armazenagem, alugando este ano mais um armazém particular. Na Ponte da Amizade será construído outro, com 198 m2, dentro do projeto de modernização aduaneira. Até então, a Receita usou contêineres para guardar mercadorias apreendidas na ponte e na BR-277. No mês do ano, aproximadamente 12 mil volumes de produtos aguardavam a regularização ou decisão judicial para leilão ou destruição.


