Foz do Iguaçu - Foi denúncia anônima. Informaram no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Foz do Iguaçu (PR) que havia droga na carreta vermelha. O veículo, interceptado 19 quilômetros adiante, em Santa Teresinha do Itaipu, levava 26 toneladas de farinha de trigo e 1.154 kg de maconha. Mais uma ocorrência no registro policial. No ano passado, segundo a PRF, foram apreendidas 230,03 toneladas da droga - mais de 6 vezes o total de 2004 - 37 toneladas. Um número que tende a crescer, com contratação de policiais, monitoramento de safras, serviço de inteligência. Mesmo assim, ainda representa, segundo especialistas, pequena parte do total. ''As apreensões impressionam, mas creio que o que é pego é quantia ínfima do que passa'', diz o promotor Thalys de Souza. ''No máximo 20% da droga é apreendida'', calcula o juiz Odilon de Oliveira.
Fronteira enorme - 1.365 quilômetros só com o Paraguai -, efetivo policial insuficiente e facilidade de trânsito de traficantes no Paraguai ajudam a explicar o vigor do tráfico. Assim como a capacidade dos criminosos em se adaptar à mudanças.
O delegado da Polícia Federal (PF) em Foz, Roberto Milaneze diz que, com o fim há 2 anos dos comboios de sacoleiros - filas de 500 ônibus juntos, dificultando a fiscalização - mudou a distribuição das drogas. Antes, seguiam pulverizadas. Agora, entram em grandes carregamentos.
A mudança obrigou a polícia a se adaptar. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), por exemplo, conhecida por ações de trânsito, aparelhou-se para combater contrabando e narcotráfico. E identificar golpes, como o da seguradora. Alguém financia um carro, manda-o à Bolívia ou Paraguai e dá queixa de roubo. Recebe o seguro e o carro é usado para levar drogas.
Cresce também o uso de ''mulas'' de garotos como Filipe, de 14 anos. Pai desconhecido, mãe diarista, ele foi pego com 26 quilos de maconha quando seguia num ônibus de Ponta Porã a Cuiabá. Havia comprado a droga em Capitán Bado.
A maconha paraguaia também tornou conhecido um município de apenas 10.350 habitantes: Céu Azul. Com 70% do território coberto pelo Parque Nacional do Iguaçu, por lá passa praticamente toda a droga que entra por Foz. Sobretudo pelas ''cabriteiras'' - nome vem de cabritos, carros roubados na linguagem policial -, usadas para evitar a fiscalização na BR-277. ''Não passa semana sem falarem de Céu Azul na televisão'', diz o comerciante Lear Dias. ''Claro que chateia'', lamenta o chefe de gabinete da prefeitura, Aldo Wakimoto. ''Ninguém quer ver o nome de sua cidade envolvido com droga''.(L.G.)

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