A proibição da venda da pílula anticoncepcional Microvlar nas farmácias do Paraná, desde quarta-feira, deixou assustadas mulheres que estavam tomando o medicamento. A apreensão dos medicamentos foi solicitada pelo Ministério da Saúde, depois que quatro mulheres de São Paulo engravidaram mesmo tomando a pílula - que em um dos lotes era composta por farinha, sem função terapêutica.
O problema foi diagnosticado apenas em embalagens que não continham a data de validade do produto, mas o Ministério determinou a apreensão de todos os lotes como medida cautelar.
‘‘Tomo a pílula há quase dez anos e fiquei assustada com a notícia - como é possível tomar um medicamento para se prevenir da gravidez e acabar engravidando?’’, questiona a estudante Alessandra Santana, de 25 anos, que não tem filhos. Ela disse que pretende trocar de pílula assim que tomar os quatro comprimidos que faltam para terminar a cartela.
A ginecologista Miriam Martinez disse que já atendeu várias pacientes que estavam com medo de continuar tomando a Microvlar depois que souberam do problema em um dos lotes do medicamento. ‘‘Sempre recomendo que elas terminem de tomar a cartela e, caso a pílula não seja liberada para venda nas farmácias, troquem de pílula ou adotem outro médoto anticoncepcional’’, explica ela.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Curitiba, David Guntowski, disse que a Microvlar é uma das pílulas mais procuradas pelas mulheres, já que seu preço é um dos mais baixos. Enquanto a caixa da Microvlar custa R$ 2,89, outras pílulas são comercializadas por até R$ 15,57 (como a Gracial). ‘‘Sempre orientamos aos consumidores que procurem o médico antes de trocar de pílula, já que o medicamento contém hormônios e pode ter diferentes efeitos colaterais’’, observou Guntowski.
A Vigilância Sanitária Estadual está solicitando a todas as farmácias que retirem as caixas de Microvlar das prateleiras, suspendam a venda de qualquer lote do medicamento e devolvam os produtos às distribuidoras.
Nas inspeções de rotina, os fiscais da Vigilância estão lacrando as embalagens de Microvlar encontradas nas farmácias e orientando os farmacêuticos. ‘‘Os estabelecimentos que venderem o produto poderão ser autuados’’, alerta a farmacêutica Maria Aída Rezende, chefe da Vigilância Sanitária Municipal.

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