Paulo WolfgangAmeaçaRicardo dos Santos: ‘Se houver apreensão, vamos radicalizar’A revolta de mototaxistas, que tiveram suas motos apreendidas durante uma blitz da Polícia Militar, na avenida 10 de Dezembro, quase terminou em pancadaria na tarde de ontem.
Mais de 100 mototaxistas reuniram-se no local e tentaram impedir que o caminhão-guincho levasse as seis motocicletas apreendidas, dando início a troca de ofensas entre policiais e mototaxistas. Os ânimos só foram acalmados com a chegada do comandante da Companhia de Trânsito, capitão Manoel da Cruz Neto.
Segundo ele, a finalidade da blitz era mesmo para conter o transporte de passageiros em motocicletas de aluguel. Ele afirmou que estava cumprindo as normas do Conselho Estadual de Trânsito aprovadas pela Assembléia Legislativa e publicada na semana passada no Diário Oficial. As normas proíbem este tipo de prestação de serviço em todo o Paraná.
Após a intervenção do capitão Manoel, as motocicletas acabaram sendo levadas para o pátio do Departamento de Trânsito (Detran), onde os mototaxistas voltaram a se reunir e protestar. Manoel falou com o presidente da Associação dos Mototaxistas, Ricardo Rodrigues dos Santos, e prometeu liberar as motocicletas que estivessem em situação regular para trafegar.
As seis motos acabaram sendo liberadas. ‘‘Temos que usar o bom senso, pois a confusão estava prejudicando o tráfego de veículos. Por outro lado também sabemos que a maioria deste pessoal (mototaxista) tem família e sobrevive deste tipo de trabalho, mas estamos obedecendo às normas, que visam diminuir o índice de mortes de motoqueiros no nosso trânsito’’, afirmou o capitão.
Além das motocicletas de aluguel foram apreendidas também nove motos que estavam trafegando em situação irregular.
No final da reunião com Rodrigues, Manoel prometeu continuar com as blitze e instruiu os mototaxistas a procurarem as autoridades municipais - principalmente o prefeito e os vereadores - para que o Município crie uma lei própria autorizando o funcionamento de mototáxi na Cidade. ‘‘Para isto as empresas que exploram este tipo de serviço terão que emplacar as motos com placas vermelhas (de aluguel); a Prefeitura terá que expedir alvará de licença para funcionamento e em cada moto deverá ser instalado um taxímetro’’, explicou.
Depois da reunião com o capitão, Ridcardo Rodrigues reuniu-se com os mototaxistas na Concha Acústica (área central). Participaram da assembléia mais de 200 mototaxistas. Eles decidiram que a categoria vai continuar trabalhando e cada vez que ocorrer apreensão de motos de aluguel por parte da polícia eles farão protesto público. ‘‘Se apreenderem moto em situação irregular tudo bem. Agora, se a apreensão for feita porque estamos transportando passageiros, vamos protestar e também radicalizar’’, prometeu Rodrigues o presidente da Associação dos Mototaxistas.
A assembléia também aprovou a cobrança de R$ 1,00 por mototaxista/dia, durante os últimos cinco dias de cada mês, para formar um fundo que irá cobrir despesas com o advogado que fará o acompanhamento jurídico das reivindicações da classe.
Eles também definiram que na próxima sexta-feira irão falar com o prefeito Antonio Belinati, para que ele tome uma posição diante do problema. ‘‘Já falamos com o presidente da Câmara de Veredores (major Adalberto Pereira da Silva), que passou o problema para o Executivo. Acho que este impasse poderá ser resolvido com soluções políticas, pois vai mexer no trabalho de 400 pessoas que hoje sobrevivem neste tipo de serviço’’, garantiu Ricardo.
Diversos mototaxistas afirmaram que até policiais militares trabalham no setor para complementar a renda. Não existe um levantamento completo de quantas empresas de mototáxis estão funcionado em Londrina, mas a categoria garante que são mais de 25.
Os mototaxistas, em sua maioria, são pessoas que estavam desempregadas há mais de três meses. Com uma jornada diária de trabalho de oito horas, eles garantem um salário mensal médio de R$ 500,00.

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