Uma confusão na manhã de ontem no Calçadão de Londrina, em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde (Área Central), chamou atenção da população e manteve o impasse sobre a retirada dos hippies das ruas. Segundo a artesã Maria José Lopes, 46 anos, tudo começou quando um fiscal da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tentou apreender seus materiais. A artesã se recusou e deitou-se sobre os produtos para evitar que fossem levados.
''Eu não posso ficar sem trabalhar, porque tenho que comer todos os dias'', disse. Maria José contou que trabalha com artesanato há 15 anos e sustenta um filho e uma neta com esse dinheiro. Ela enfatizou que o que faz não é ilegal. ''Isso não é contrabando do Paraguai. Se eles forem levar alguma coisa vão ter que me levar junto, porque na cadeia eu não vou precisar trabalhar para comer'', afirmou.
A Polícia Militar (PM) foi acionada para dar apoio aos fiscais, mas os policiais se retiraram depois que a situação foi controlada. Contudo, os agentes da CMTU não conseguiram retirar a artesã do Calçadão até o final da manhã. Há pouco mais 20 dias a prefeitura deu um prazo (que venceu na segunda-feira) para que os hippies deixassem de comercializar seus produtos em locais públicos e encontrassem um outro local, fora das ruas, para trabalhar.
Na noite de anteontem outros dois hippies foram encaminhados à 10 Subdivisão Policial de Londrina após se recusarem a entregar os produtos artesanais. ''Eu fui até algemado e fiquei trancado como bandido'', reclamou Luis Alvez Cruz, 44 anos, que ficou cerca de quatro horas recolhido na delegacia. Segundo informações da PM, Cruz e Sebastião Vanderlei da Silva, 35 anos, foram detidos porque desacataram a ordem dos agentes da CMTU e perturbaram a execução do trabalho dos fiscais. Os dois assinaram um termo circunstanciado de infração penal (tecip), foram liberados mas terão de comparecer a uma audiência no Juizado Especial Criminal, em agosto.
De acordo com o presidente da CMTU, Wilson Sella, os hippies foram convidados a integrar o Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), porém não aceitaram. Mesmo assim, explicou Sella, a CMTU tentou locar alguns imóveis para abrigá-los mas teve dificuldades. ''Agora é com eles. Vão ter que encontrar um lugar'', afirmou. Até que isso ocorra, segundo ele, a orientação dada aos agentes é apreender todo o material de qualquer pessoa que tente vender produtos nas ruas sem autorização.

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