Maringá

Ossamu KandaConcorrência deslealBrasil produz anualmente 60 milhões de fitas cassete falsificadasA Polícia Federal apreendeu ontem em Maringá cerca de 20 milhões de capas de fitas cassete piratas, prontas para ser colocadas nas caixinhas, e mais 100 mil CD’s também piratas, fabricados provavelmente na Ásia. Foi a maior apreensão do gênero já feita no País, segundo o delegado Antônio Borges, que comanda as investigações em parceria com a Polícia Federal de Santa Catarina há uma semana. Onze pessoas foram detidas para averiguações.
‘‘Hoje podemos dizer que Maringá é a capital nacional da pirataria fonográfica do Brasil’’, afirmou o secretário-executivo da Associação de Proteção aos Direitos Intelectuais Fonográficos, Márcio Gonçalves. A entidade tem sede em São Paulo. ‘‘Paraná, São Paulo e Goiás são os Estados mais problemáticos em relação à pirataria. Mas com essa quantidade apreendida em Maringá o Paraná passou a ser o Estado que mais produz pirataria fonográfica no País’’, afirmou Gonçalves.
Ele explica que atualmente no Brasil a pirataria fonográfica produz anualmente 60 milhões de fitas cassete, contra 3 milhões fabricadas pelas gravadoras oficiais (98% de fitas cassete vendidas no País são piratas). É um mercado antigo, que funciona há 20 anos. Ao contrário dos CD’s, pirataria mais recente, que vende 3 milhões de cópias por ano, contra 98 milhões de originais. A maioria das fitas apreendidas contém músicas sertaneja e romântica. O fabricante pirata vende a fita cassete por R$ 0,45 ao comerciante, que a revende ao consumidor por R$ 2,00. O CD fica por R$ 7,00 para o vendedor, que o repassa por R$ 10,00.
As pistas dos 10 locais de Maringá vistoriados pelos agentes surgiu em Lages (SC), através de uma relação de endereços. Ontem de manhã, 10 equipes da Polícia Federal fecharam esses locais. São dez casas espalhadas pelos bairros mais humildes da cidade. O delegado Borges não acredita que exista um chefe que comanda a quadrilha. ‘‘Cada um é dono de seu próprio negócio. Eles se comunicam entre si, formando um cartel. Trabalham em conjunto, mas cada um fica na sua’’.
Os cerca de 20 milhões de estampas foram encontradas numa casa no bairro São Silvestre, próximo ao Contorno Sul. Nos fundos da casa, um galpão de alvenaria escondia as capas, que foram impressas em outro desses 10 locais. Três pessoas foram detidas na casa: Verônica Sevidani, de 25 anos de idade, Sônia Maria Rodrigues Lopes, 25, e Valdecir Donizetti Valdir, 37. Márcio Gonçalves diz que a qualidade da impressão das estampas é boa e pode enganar com facilidade o consumidor.
No bairro Borba Gato, a Polícia Federal encontrou cerca de 20 mil fitas cassete já prontas para ser lançadas no mercado. Lá funciona o laboratório, onde as fitas são gravadas e embaladas. Cinco pessoas foram detidas nesta casa á- a polícia não quis revelar seus nomes, por enquanto. As máquinas que gravam as fitas são da marca Telex, importadas.
‘‘Aqui encontramos nove dessas máquinas, que podem gravar até 18 mil cópias mensais se trabalharem oito horas por dia. Seus supostos donos não têm notas fiscais de importação dessas máquinas, que custam R$ 4 mil cada uma’’. Além deste laboratório, a polícia fechou outro similar em Maringá.
Os 100 mil CD’s encontrados em outra casa de Maringá já estavam prontos para ser distribuídos e vendidos por todo o país. ‘‘Eles conseguiram falsificar até o holograma original de cada gravadora, que é feito nos EUA, o que torna difícil para o consumidor saber se a bolacha é pirata ou não.
A qualidade não é ruim. Mas a qualidade da fita cassete é ruim. Ocorre que o consumidor só quer ganhar no preço, e não na qualidade. Na próxima semana, chega a Maringá um diretor da Federação Internacional de Proteção aos Direitos Fonográficos para dizer se os CD’s estão mesmo vindo da Ásia, como desconfiamos’’, afirmou Gonçalves.

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