O preso de ‘‘correria’’ (que fica no corredor para entregar carta e comida para os demais detentos) Roberto Aurélio Soares, 38 anos ateou fogo em dois colchões dando início a uma rebelião ontem por volta das 11 horas, na Cadeia Pública de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). Os colchões incendiados foram jogados na porta da cela 6. Cinco presos foram intoxicados pela fumaça e um sofreu queimaduras graves.
Durante a revista das celas, na manhã de ontem, o delegado José Antônio Zuba Oliva determinou que Soares fosse recolhido a uma cela a pedido dos presos da cela 6. Eles reclamaram que Soares costumava mexer com as mulheres dos outros presos durante o horário de visita. ‘‘A revista foi das 9h30 às 10h30. Na sequência ele (Soares) pegou os colchões da cela utilizada para castigo e ateou fogo’’, afirmou o delegado.
Segundo Zuba, o preso irá responder por seis tentativas de homicídio e danos ao patrimônio público. A pena pode ser de 40 a 50 anos. Soares estava preso por desacato com pena de nove meses.
A movimentação entre os detentos começou anteontem, quando a polícia descobriu um pacote de salgadinhos contendo 14 trouxinhas de maconha e uma de cocaína. A droga foi trazida por um mototaxista não identificado que orientou a entrega ao cubículo seis. ‘‘Depois da apreensão, eles começaram a ameaçar uma rebelião’’, informou o delegado.
Por causa do feriado nos órgãos públicos estaduais, em comemoração à emancipação do Paraná, apenas o delegado, dois investigadores e um policial militar estavam na delegacia. ‘‘Eu entrei na cadeia enrolado em um pano e abri as celas para os presos saírem, senão acabariam morrendo’’, explicou o delegado Zuba.
Ao serem soltos, os rebelados tentaram segurar o delegado, mas se acalmaram depois que ele atirou para cima e lhes apontou a arma. Um dos investigadores e o soldado da PM, Orlando Lourenço da Silva, deram cobertura à ação. Quando o Pelotão de Choque chegou, os outros detentos foram encaminhados ao pátio, para que o Corpo de Bombeiros pudesse trabalhar.
Dez membros do Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) de Londrina, além do Corpo de Bombeiros, PM de Ibiporã e funcionários da delegacia anexa à cadeia se mobilizaram para controlar a situação. Os cinco presos que se intoxicaram com a fumaça foram encaminhados ao Hospital Cristo Rei de Ibiporã, e retornaram à cadeia no início da tarde.
O detento Getúlio Soares sofreu queimaduras graves por todo o corpo e foi encaminhado para o Hospital Universitário de Londrina. Ao tentar abrir os cadeados das celas cinco e seis, próximas ao incêndio, o delegado Zuba, queimou três dedos da mão direita.
Antes da rebelião, havia 34 presos recolhidos na cadeia pública de Ibiporã, que tem capacidade para 24 pessoas. Ontem, os detentos Ivandir Balbeiro, Roberto Teixeira Soares, Mário Ferreira Dantas e Claudinei Machado Paiva, que o delegado considera agitadores, foram transferidos para a Prisão Provisória de Londrina. Mário e Claudinei possivelmente seriam devolvidos para a cadeia pública de Arapongas (37 km a oeste), de onde foram transferidos por causa de uma reforma.
Apesar do incêndio, as oito celas da cadeia de Ibiporã não foram danificadas. Apenas a parte elétrica das celas cinco e seis foram prejudicadas, mas a prefeitura de Ibiporã efetuou os reparos necessários ontem à tarde.

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