Ana Carolina Sacoman
Moradores de Ângulo (32 quilômetros ao norte de Maringá) denunciaram ontem o extermínio de cães pela prefeitura. Revoltados, asseguram que os animais são capturados até dentro dos quintais e levados ao canil municipal, onde são sacrificados. ‘‘É um absurdo o que estão fazendo com os bichinhos. Muitos nem estão doentes e são levados para o matadouro assim mesmo’’, afirma a dona de casa Maria de Fátima Barbosa, uma das mais indignadas com a situação. A Prefeitura nega as acusações.
Segundo a veterinária do município, Luciana Fogaça Zamprônio, há cinco meses foi implantando na cidade o projeto ‘‘Cada cão com seu dono’’, que cadastrou todos os cachorros. Os cães foram identificados e receberam uma coleira com seus dados. Ela afirma que somente os animais não cadastrados e encontrados na rua é que são encaminhados para o canil. ‘‘Mesmo assim, somente os doentes é que são eutanasiados’’, disse. ‘‘Os sadios ficam por aqui recebendo alimentação e tratamento até aparecer alguém para levá-los’’.
Desde o início da campanha, de acordo com Luciana, foram identificados 433 cães e 46 foram sacrificados. Não é o que afirmam alguns moradores. A dona de casa Terezinha da Silva denuncia que há uma matança sem necessidade. ‘‘Não entendo porque a Prefeitura gasta dinheiro com um negócio desses se não existe nenhuma doença que justifique essa atitude’’, afirmou. ‘‘Em vez de gastar dinheiro com bobagens, eles deveriam investir em saúde, educação e segurança’’. Ela mantém seu cachorro o dia inteiro dentro de casa com medo que ele seja levado pela carrocinha. ‘‘Como não tenho coleira e nem corrente, tranco o bicho em casa toda hora. Ele vive preso’’.
A moradora Janete da Silveira cria cerca de 30 cães, e acha que se cada morador adotasse um animal que está no canil, o sacrifício poderia ser evitado. ‘‘Se a prefeitura me desse condições, eu criaria todos. As cadelas poderiam ser esterilizadas e nem precisariam acabar com os animais’’, disse. A veterinária da prefeitura informa que a esterilização já está sendo providenciada. ‘‘Também prefiro tratar do que matar. Não gosto de sacrificar os animais’’.

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