Apreensão de animais cresce 37,3% no PR
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A quantidade de animais silvestres apreendidos no Paraná cresceu 37,3% de 2010 para 2011, segundo dados levantados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPAmb) da Polícia Militar (PM). No total foram apreendidos 4.720 animais em 2010 e 6.485 no ano passado. Nos primeiros meses de 2012, conforme os dois órgãos consultados, já foram recolhidos 2.694 animais.
Se for considerada apenas a estatística da PRF no Estado, o crescimento foi de 256,8%, passando de 271 ocorrências em 2010 para 967 em 2011. Em 2012, foram 191 apreensões. Segundo o inspetor Ricardo Schneider, chefe da Seção de Policiamento e Fiscalização da PRF no Paraná, é difícil apontar um motivo para este crescimento. Ele reforça, no entanto, que a fiscalização nas rodovias tem sido intensificada.
A maior parte dos flagrantes ocorre nas rodovias BR-277, entre Foz do Iguaçu (Oeste) e Paranaguá (Litoral), e BR-369, da região de Londrina até Cascavel (Oeste). ''Normalmente, a maioria dos registros ocorre nestas duas rodovias por estarem próximas dos grandes centros, onde se encontra a maior parte dos compradores. Além disso, os criminosos passam pelas cidades maiores para fazer o transporte dos bichos.''
Na maioria das apreensões, os animais são escondidos em condições precárias em caixas. As aves silvestres são os maiores alvos. ''Como são menores fica mais fácil acomodá-los nos veículos, mas muitos acabam morrendo durante o transporte. Quando a apreensão é realizada, muitos não sobrevivem, e os outros são encaminhados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), porque não têm condições de serem devolvidos à natureza.''
Já o BPAmb fez 4.449 apreensões em 2010 e 6.485 no ano passado, um crescimento de 24%. Em 2012 já foram 2.503 animais silvestres recolhidos do tráfico.
Rota de passagem
Conforme o tenente Álvaro Gruntowski, do BPAmb, o Paraná é uma ''rota de passagem'' do tráfico de animais silvestres. ''Existe tráfico e o transporte irregular, mas a grande maioria destes animais é retirada da natureza em outras regiões, como no Norte e Nordeste do País. Existem capturas no Estado, principalmente onde ainda existem remanescentes da Mata Atlântica, como no Litoral e em algumas cidades da Grande Curitiba'', disse.
Para Gruntowski, as penas ''brandas'' dificultam o combate aos crimes ambientais. A legislação atual prevê que matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécies da fauna é passível de punição com pena de seis meses a um ano de prisão, além de multas. ''Antes dessa nova lei o crime de tráfico de animal era inafiançável. A pena hoje é muito pequena para quem é pego cometendo esse crime. Em alguns casos a pessoa nem vai presa. Assina um termo circunstanciado, paga a multa, muitas vezes convertida em cestas básicas. Mas e a perda para o meio ambiente, como fica?'' Nas ocorrências em que é identicado porte ilegal de armas, cuja pena é de até três anos de detenção, pode ser decretada a prisão.
O problema persiste, aponta, porque ''muita gente ainda acha bonito deixar pássaros e outros animais presos em gaiolas''. ''Lugar de bicho é na natureza. Enquanto esse pensamento não mudar, infelizmente vão continuar acontecendo apreensões.''


