APP/Sindicato vai fazer manifestação para cobrar governo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de abril de 1999
Telma Elorza 
A APP-Sindicato vai realizar uma grande manifestação em várias regiões do Estado, amanhã, a partir da 9 horas. Na manifestação, pais, alunos, funcionários e professores da rede estadual de ensino estarão denunciando a situação de abandono da escola pública no Paraná e cobrando do governador Jaime Lerner (PFL) soluções urgentes. Em Londrina, a manifestação será das 9 às 12 horas, no Calçadão, em frente ao Banco do Brasil. O núcleo londrinense da APP-Sindicato espera a participação das cerca de 70 escolas da cidade e várias caravanas de cidades vizinhas.
Para o presidente interino da APP-Sindicato-Londrina, Luís Martins de Lima, a manifestação vai ser uma grande aula de cidadania. Vamos levar os alunos para que eles vejam e participem porque vamos falar de direitos e deveres, nossos e do Estado, explicou. Segundo Martins, a manifestação será pacífica, com apresentações de peças teatrais, poesia e música, além de cartazes expondo a situação de cada escola participante e outras atividades que estão sendo preparadas. Segundo Lima, é hora da sociedade ver de perto como andam as escolas públicas. A Alcyone Saliba (Secretária de Estado da Educação) diz que o Paraná é modelo, que nós não temos problemas sérios na área de educação e apresenta soluções mágicas de parceria entre as escolas e a iniciativa privada. A secretária desconhece a realidade. Ela nunca entrou em uma escola paranaense, desabafou.
Martins diz que a maioria das escolas estaduais hoje conta com 50 alunos por sala de aula, sofrem com falta de materiais - inclusive de limpeza -, merenda, funcionários e professores. O governo nem repassa a verba do Fundo Rotativo (dinheiro que as escolas dispõem para aquisição de materiais de consumo, como papel, produtos de higiene e outros) desde setembro do ano passado, acusa.
Segundo ele, as escolas estão virando um grande bingo. Os professores têm que vender números de rifa, pizza, sorteios para conseguir comprar um material de esportes, um bebedouro, fazer uma pequena reforma. Tem escolas que definiram cotas para os professores. Se não venderem tantos números, têm que pagar do próprio bolso, observou.
Martins disse que a manifestação vai ser também uma forma de pressionar o governo para que reabra as negociações, cuja pauta pede a manutenção dos direitos conquistados pela categoria; a imediata realização de concurso público para professores e funcionários; o repasse imediato e integral dos recursos do Fundo Rotativo; garanta a hora-atividade; e o reajuste salarial para funcionários e professores, entre outros. A manifestação vai servir em três pontos: vamos divulgar o que a escola é hoje, cobrar do governo soluções e ser uma preparatória para uma assembléia estadual e uma manifestação que faremos no dia 30, em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Se nada disto resolver, disse Martins, a rede de ensino pode enfrentar uma greve por tempo indeterminado ainda este ano. A maioria dos professores está mais que disposta para isso, afirmou.


