Maigue Gueths
De Curitiba
Sindicato e governo apresentam números conflitantes sobre a paralisação de professores e funcionários da rede estadual de ensino, realizada ontem em todo o Estado. Enquanto o Sindicato dos Professores e Trabalhadores nas Escolas Públicas do Estado (APP-Sindicato) avalia que a paralisação atingiu 90% da categoria em todo Paraná, com adesão de até 100% em alguns centros, levantamento da Secretaria de Estado da Educação aponta índice de 60% a 65%.
Em Curitiba, a manifestação contou com a presença de profissionais de toda a região metropolitana, que conseguiram parar o trânsito das ruas centrais na parte da manhã, com uma passeata, batizada de Via Sacra, que saiu da Praça Santos Andrade em direção à Praça Rui Barbosa. O município de São José dos Pinhais realizou manifestação em separado, agrupando os professores em praça pública, e conseguiu adesão de 100%, segundo o Núcleo da APP de Curitiba e região.
Ontem, a secretária da Educação, Alcione Salyba, reafirmou a disposição do governo, já anunciada na quinta-feira, de descontar o dia parado dos funcionários que aderissem ao protesto. Chamada de greve de alerta, a paralisação dá início a uma série de manifestações de pressão ao governo para que atenda às reivindicações da categoria. Caso não haja avanços nas negociações, a APP ameaça entrar em greve por tempo indeterminado a partir de maio.
Entre as principais reivindicações está a aprovação do Plano de Cargos, Salários e Carreira e a implantação da hora-atividade (pagamento do período de trabalho extra-sala em preparo das aulas, correção de provas). ‘‘Só queremos que o governo, no mínimo, cumpra a lei’’, diz o diretor Renê Wagner Ramos, do Núcleo Sindical de Curitiba, lembrando que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) prevê que 20% da carga horária seja cumprida fora da sala de aula. ‘‘Pesquisas nacionais mostram que o professor do Paraná é um dos mais estressados do País. E isto acontece porque, além da escola, nós temos que trabalhar à noite ou em finais de semana para complementar as aulas.’’
Os professores também reivindicam 41,44% de reajuste salarial, referentes ao índice inflacionário calculado pelo Dieese entre agosto de 95 até fevereiro deste ano. Nesse ponto, sindicato e secretaria também têm divergências. A presidente do Núcleo, Maria Helena Guarezi, diz que os trabalhadores em educação não têm reajuste há cinco anos, enquanto a secretaria alega que houve um reajuste de 135% neste período. O movimento sindical contesta, alegando que esses números referem-se a um aumento no piso da categoria, concedido em 95 e à criação de novos níveis salariais em 96, que beneficiariam profissionais que passassem por cursos de reciclagem.
O problema, segundo Ramos, é que isso não está ocorrendo. ‘‘A pessoa faz um curso, deveria ser reenquadrada, mas o Estado alega que a Lei Camata não permite maior endividamento e não muda a pessoa de padrão.’’ Foi o que aconteceu com a professora Nilcéia Bueno de Oliveira, do Colégio Humberto de Alencar Castelo Branco. Professora concursada há 4 anos, com nível superior, pós-graduação e cursando mestrado, seu salário permaneceu em R$ 340,00 durante todo este período. Outra que reclama dos vencimentos é a auxiliar de serviços gerais da Escola Santa Rosa, Luzia Correia, concursada, com 1 ano e meio de trabalho e salário de R$ 156,00. ‘‘E ainda tem desconto’’, diz.
O menor salário do funcionalismo está, hoje, em R$ 153,00 e dos professores, em R$ 291,00 para quem não tem curso superior e R$ 335,00 para nível superior com uma carga de 20 horas de trabalho.Secretaria de Educação alega que movimento não atingiu mais do que 65% da categoria e promete descontar o dia parado
José SuassunaMarcos NegriniIMAGENS DO PROTESTOPasseata dos manifestantes de Curitiba e região foi chamada de Via Sacra; na região de Maringá, eles distribuíram panfletos na praça de pedágio da BR-376Ney de SouzaEm Foz do Iguaçu, cerca de 500 pessoas fizeram passeata e queimaram bonecoDorico da SilvaCerca de 300 pessoas participaram do ato público na praça do centro de Cambé

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