APP calcula adesão em 40%, governo diz que é de 10%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Andréa Lombardo <br> De Curitiba 
A APP-Sindicato estimou em cerca de 40% a adesão das escolas do Paraná ao movimento desencadeado ontem para reduzir as aulas de 50 para 30 minutos. Romeu Miranda, presidente da entidade, disse que a expectativa para hoje é de que a adesão seja de pelo menos 60%. Os professores deverão manter a operação-tartaruga até o próximo dia 26. Não havendo negociação com o governo do Estado, a categoria promete iniciar uma greve geral no dia seguinte.
Além do reajuste salarial de 50,03%, o sindicato reivindica a realização de concurso público, implantação do plano de carreira, hora-atividade de 20% e revogação do decreto da Secretaria de Estado da Educação, que estabelece critérios para a eleição de diretores. Também pede que o governo retire da Assembléia Legislativa o projeto que, segundo Miranda, extingue a carreira estatutária.
Os números de adesão ao movimento apresentados pela APP são contestados pela Secretaria de Estado da Educação. Cláudio Bonfat, diretor do Paraná Educação, afirmou que a paralisação parcial foi de aproximadamente 10% em todo Estado, com exceção de cidades como Cascavel e Londrina, onde a adesão chegou a cerca de 30%.
O presidente da APP-Sindicato afirmou que a entidade só recuará da greve caso o governador Jaime Lerner receba uma comissão de professores para negociar e apresente uma proposta ''razoável''. Já o governo avisa que não existe a menor possibilidade de um reajuste este ano e, por isso, entende que não é o momento apropriado para a greve, informou Bonfat.
De acordo com o diretor do Paraná Educação, o governo já se comprometeu a conceder reajuste no ano que vem e estuda qual será o índice que poderá repassar aos professores. ''Os maiores reajustes serão para as categorias que tiveram índices menores em anos anteriores'', observou. Quanto às outras reivindicações feitas pela APP-Sindicato, Bonfat taxou de ''questões políticas'', que não representam o interesse da maioria.
A Secretaria da Educação não acredita que a operação- tartaruga, ou uma possível greve, ganhe força. Para Bonfat, a maioria dos professores não quer comprometer suas férias, já que serão obrigados a repor as aulas em caso de paralisação.


