‘‘1997, o ano que pode não começar.’’ É com esse mote que a APP-Sindicato está levando à população paranaense, através de anúncios na televisão, sua insatisfação com a política do governo do Estado para o magistério. O anúncio traz embutida uma ameaça de paralisação da categoria já no início do ano - possibilidade considerada remota pela Secretaria da Educação e ainda pouco comentada nas escolas.
O secretário de imprensa da APP-Sindicato, José Lemos, diz que a paralisação será discutida se até a semana que vem o governo não der uma resposta concreta às reivindicações dos professores. São três pedidos: mais recursos para o atendimento à saúde pelo Instituto de Previdência do Estado; elaboração de um cronograma para a reposição gradativa de perdas salariais avaliadas em 238% nos últimos dez anos; e concessão imediata da hora-atividade de 20%.
O secretário Ramiro Wahrhaftig diz que o governo é favorável à hora-atividade, mas que só poderá concedê-la, na melhor das hipóteses, no segundo semestre. A hora-atividade consiste na permissão para que o professor use parte da sua carga horária (no caso, 20%) para atividades extra-classe, como preparação de aulas e aperfeiçoamento.
Quanto à reposição salarial, o secretário afirma que ela está condicionada ao desempenho da arrecadação do Estado. Não promete índices nem prazos. ‘‘A recuperação real dos salários dos professores já começou, neste governo, depois de sete anos de perdas’’, afirma. ‘‘Uma greve agora seria falta de bom sendo dos professores.’’

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