Apostilas em braille facilitam estudo a cegos
Cada vez que um deficiente visual consegue abrir um espaço na sociedade, é uma porta que se abre para os outros que vêm atrás. É o que diz o deficiente visual Leomir Barbosa Bill, que recebeu ontem da Secretaria Estadual da Educação, junto com outros nove alunos da rede estadual de ensino, a primeira série de apostilas impressas em braille, destinadas ao primeiro grau. Bill, mesmo sem enxergar, está cursando sua segunda faculdade, e se forma em setembro. Agora, os alunos deficientes terão mais facilidade do que eu tive, diz.
Segundo Ivanilde Maria Tíbola, chefe do departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação,as apostilas entregues ontem são as primeiras de um lote que deve ser distribuído por todo o Paraná. Ela espera que, com as apostilas em braille, outros cegos sejam estimulados a participar do programa. A produção das apostilas foi possível graças à aquisição de quatro impressoras especiais, para Curitiba, Cascavel, Francisco Beltrão e Maringá.
Para o estudante Samuel José Sanches, 20 anos, que está cursando a 5ª série, é difícil acompanhar as pessoas que enxergam, mas vou conseguir. Devido às dificuldades, Sanches se atrasou em relação aos alunos normais, mas quer se adiantar e ser professor. Ainda preciso estudar muito, admite. Os cegos são interessados e servem de exemplo para os outros alunos, que têm todos os sentidos mas às vezes são um pouco levados, diz a supervisora da escola, Roselis Guimarães Paim. (P.G.)





