Quando o assunto é jogo, os moradores de Foz do Iguaçu podem se considerar privilegiados. Além das loterias brasileiras, os apostadores têm muitas outras opções ao cruzar a fronteira para tentar a sorte em uma infinidade de jogos lotéricos existentes em Ciudad del Este, no Paraguai, e em Puerto Iguazú, na Argentina.
No Brasil, os prêmios acumulados da Megasena e os ‘‘bolões’’ com apostas de resultados de jogos da Copa do Mundo são, atualmente, as maiores esperanças de dinheiro fácil. Já nas lojas de apostas de Puerto Iguazú, na Argentina, o ‘‘cardápio’’ é bem variado e quase que igualmente dividido entre os jogadores. São tantos jogos que fica difícil de saber em qual apostar. A cidade, de 25 mil habitantes, tem quatro lotéricas com jogos de todas as regiões da Argentina.
Ney de SouzaAssíduaSueli Almeida, 38 anos, gasta cerca de R$ 30,00 por semana em apostasSegundo o proprietário da lotérica La Timba, Élbio Casales, de Puerto Iguazú, cerca de 10% das apostas realizadas em sua lotérica são de brasileiros. ‘‘Eles sempre estão de olho nos prêmios pagos pelas loterias argentinas que, na maioria das vezes, é superior aos prêmios pagos pelos jogos brasileiros’’, assegura.
De acordo com Casales, os brasileiros gostam muito de jogar na ‘‘Quini’’, semelhante a Megasena brasileira, porque é o único jogo na América do Sul que paga valor mínimo de US$ 1 milhão. A ‘‘Quini’’, o principal jogo semanal argentino, já chegou a acumular em US$ 25 milhões. Cada cartão custa US$ 3,00. ‘‘Como neste jogo só pode apostar em seis números, o prêmio acumula com muita frequência’’, explica.
Além da ‘‘Quini’’, a ‘‘Loto’’ e ‘‘La Quinela’’, uma espécie de ‘‘Jogo do Bicho’’, são os jogos mais populares da Argentina. O ‘‘La Quinela’, entretanto, não é legalizado em todo o país. Somente em províncias onde os cassinos são legais, como é o caso de Missiones, onde está localizada Puerto Iguazú.
Na cidade, os jogos instantâneos também fazem sucesso e são procurados por turistas brasileiros. ‘‘É que normalmente o turista vai embora logo, então gosta de saber de imediato o resultado’’, explica Casales.
Durante a Copa do Mundo, todas as pessoas que apostam em jogos lotéricos argentinos concorrem a viagens a Paris para assistir aos jogos da Seleção Argentina.
Já em Ciudad del Este, a diversividade de jogos não é tão grande como em Puerto Iguazú, mas um jogo semelhante ao ‘‘jogo do bicho’’ brasileiro também faz muito sucesso e é vendido principalmente por camelôs nas ruas do centro comercial. Alguns brasileiros, mais aficcionados, aproveitam a visita a cidade para fazer compras e porque não, para uma fezinha.
A sacoleira Sueli Almeida, 38 anos, de Curitiba, conta que gasta cerca de R$ 30,00 por semana em apostas. Ela joga assiduamente há 14 anos. ‘‘Mas até hoje só ganhei uma ninharia no jogo do bicho. Agora estou apostando também em jogos nas lotéricas paraguaias. Já cansei de apostar em lotéricas brasileiras e não ganhar nada. Quem sabe minha sorte está lᒒ, teoriza.
Ela assegura que sempre teve sorte com rifas e sorteios e que por isso acredita que ainda vai acertar um prêmio de valor alto. ‘‘Tenho certeza que ainda vou ser milionária’’, sonha.
O técnico em computadores Peri Barreto, 39 anos, aposta em jogos lotéricos há mais de 10 anos e também nunca ganhou nenhum prêmio, mas garante que não exagera no número de apostas. ‘‘Jogo apenas um cartão. O momento econômico que estamos atravessando faz com que sejamos obrigados a apelar para tudo’’, justifica.
Barreto sonha com o prêmio milionário da Megasena e chegou a desistir dos números que apostava há cinco anos, sonhando com os milhões acumulados. ‘‘Vou ajeitar a minha vida e a dos meus parentes. Também quero fundar uma instituição de caridade’’, ressalta.
Mas não são só os brasileiros que saem do País para apostar em jogos estrangeiros. Paraguaios e argentinos também acreditam que a sorte pode estar do lado de cá da fronteira.
O taxista paragauaio Antonio Velasquez, 42 anos, conta que todas as semanas faz apostas em jogos brasileiros. ‘‘A gente nunca sabe onde anda a sorte. Tem que arriscar de tudo. Quanto maior for o prêmio, mais a gente se empolga’’, diz.
A dona de casa paraguaia Ana Maria Pablo, 28 anos, que atravessa todos os dias a Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai, para transportar mercadorias para brasileiros, também afirma que arrisca a sorte em jogos brasileiros. ‘‘Gosto de jogos brasileiros porque eles me parecem mais fáceis de ganhar. Apostei na Megasena acumulada. Se eu ganhar não quero mais saber de trabalhar’’.
Uma funcionária de uma lotérica de Foz do Iguaçu, que não quis ser identificada, disse que apesar dos ‘‘bolões’’ e acúmulos de prêmios das últimas semanas, o volume de apostas não aumentou. ‘‘Aumenta apenas o número de pessoas que vem jogar, mas cada uma joga em média um cartão por concurso, no máximo dois cartões’’, destaca.
Assim como no Brasil, as redes de televisão paraguaias e argentinas também realizam sorteios em que os telespectadores participam através de ligações telefônicas. A Copa do Mundo é claro, está sendo o principal alvo desse tipo de sorteio. Nos dois países existem programas de televisão que sorteiam diariamente vários carros e muitos milhões de dóalres. Em Bueno Aires, um programa argentino, por exemplo, chega a sortear US$ 1 milhão por semana.

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