Aposentados trabalham para
auxiliar no sustento da família
O baixo rendimento mensal dos aposentados tem feito com que muitas pessoas na terceira idade procurem emprego no mercado de trabalho. Mas o principal empecilho para garantir uma colocação é o preconceito. ‘‘As pessoas com mais de 60 anos são discriminadas pela lei e pelo mercado de trabalho’’, afirma Wanderley Lima, presidente da Associação dos Aposentados de Curitiba e Região Metropolitana. ‘‘Os poucos idosos que conseguem emprego para complementação salarial, entram em vagas para porteiro ou zelador e recebem um salário mínimo’’, diz. Para ele, ser aposentado no Brasil é um castigo.
Sem emprego, muitos idosos acabam recorrendo a empréstimos e a agiotagem para conseguir dinheiro para pagar as contas. ‘‘Se não tiver duas fontes de renda, o aposentado não consegue sobreviver’’, diz o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais (Sindiservidores), Wladimir França. De acordo com ele, os 350 aposentados filiados ao sindicato trabalham para auxiliar no sustento da família e 60% deles estão com problemas financeiros por causa dos empréstimos. ‘‘A situação é preocupante e muitas vezes temos que usar nossa assessoria jurídica para defender o servidor aposentado’’, afirma.
Algumas iniciativas de empresas ajudam a minimizar o problema. A administração de um supermercado de Curitiba resolveu dar uma chance aos idosos desempregados e contratou cerca de dez funcionários na terceira idade. Um deles é o aposentado João Martins de Carvalho Filho, que trabalha como empacotador. Ele conta que nunca deixou de trabalhar. Era auxiliar de escritório e resolveu optar por outra profissão quando se aposentou. ‘‘Gosto de trabalhar, tenho boa saúde e fico feliz de estar aqui’’, diz ele, ‘‘eu não quero parar de trabalhar, vou trabalhar até o fim’’.
O trabalho do pacoteiro é aprovado pelo gerente Wilson de Assis. ‘‘Os idosos são mais responsáveis, não temos que chamar a atenção, são pontuais e atendem melhor a clientela’’, afirma ele.
José Darszcz, de 71 anos, conhecido como ‘‘Kodak’’, diz que trabalha como autônomo para ajudar na renda da família. Ele ganha mensalmente um salário mínimo e tem tempo para se dedicar a apicultura. Ele conta que tem 50 caixas com abelhas e que tira 500 quilos de mel por ano. Mas as atividades não param por aí. O aposentado vai começar esta semana um serviço de carpintaria. ‘‘Faço qualquer coisa: sou marceneiro, sapateiro, fotógrafo e pintor’’, diz ele, ‘‘um piá de 20 anos não faz o que eu faço’’.
Segundo o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) são pagos no Paraná 410 benefícios por mês para pessoas aposentadas por idade. Os benefícios variam entre R$ 130,00 e R$ 1,2 mil. Os dados da Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS) mostram que 48% dos idosos da cidade recebem apenas um salário mínimo de aposentadoria. ‘‘Esses idosos são orientados a procurar atividades produtivas, como artesanato e hidroponia’’, diz Eronilde Xavier, diretor de desenvolvimento da FAS. (L.P.)

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