O número é estimado por Antônio Pereira da Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de Londrina: 20% dos 350 taxistas da cidade recebem aposentadoria e utilizam o táxi para a necessidade de renda extra. ''O salário que se recebe hoje em dia é tão pouco que é muito difícil fazer um bom pé de meia. Muitos taxistas seguem no trabalho como única alternativa, pois a aposentadoria é uma miséria. Por outro lado, existem pessoas que trabalharam a vida inteira em outra atividade e começam com o táxi para ganhar um dinheiro a mais'', afirma Pereira.
Entre o grupo desses 70 taxistas de cabelos brancos, existem aqueles que poderiam facilmente abdicar do volante para tocar a vida, já que possuem outras fontes de renda, como aluguel de propriedades compradas ao longo da vida, um comércio. Estes são invejados. Muitos apenas compactuam situação semelhante à de Manoel Balbino Sobrinho, 65 anos, que, após trabalhar a vida toda como caminhoneiro, se aposentou em 1986. Como os R$ 320 da aposentadoria são insuficientes para as despesas da casa, há três anos ele se tornou taxista.
''Sustento mulher e um filho de 28 anos, que está desempregado. Tenho outros três filhos, casados. Um é motorista, outro é feirante e uma é empregada num estabelecimento. Ganham pouco, não podem me ajudar. Preciso do táxi, porque a aposentadoria mal dá para as despesas da casa. Só em medicamentos, gasto R$ 120 por mês'', diz Balbino, que trabalha num dos pontos da Rodoviária. Como todo taxista, afirma que a situação piorou muito nos últimos anos para a profissão. ''Aqui tem pouco serviço. Desde as 6h30, quando comecei a trabalhar, até agora (15 horas), fiz duas corridas de R$ 7'', explica o motorista.
Evaldo Batista, 63 anos, companheiro de ponto de Balbino, confirma que seus ganhos como taxista são superiores ao valor da sua aposentadoria. ''No táxi, tiro R$ 400 por mês, enquanto a Previdência me dá R$ 330. Desse dinheiro, gasto R$ 100 por mês só com remédios, fora exames, consultas. Tenho labirintite e diabetes'', explica Batista. Aos 63 anos, ele trabalha 12 horas por dia para sustentar a esposa e um filho de 26 anos, que está fazendo universidade.
Antônio Pereira diz que aposentados procuram mais o serviço de taxista por dois motivos: primeiro, os motoristas que apenas utilizam o carro de um proprietário (os populares ''paqueiros'') têm lucros livres, por quilômetro rodado, e não precisam arcar com as despesas do veículo. ''Eles só precisam pagar alguma coisa se forem responsáveis por um acidente'', diz Pereira. Segundo, o táxi é uma alternativa considerável numa idade em que é cada vez mais difícil conseguir emprego.
''Ganho R$ 358 de aposentadoria e minhas despesas mensais são de R$ 2 mil. Não tenho como parar com o táxi'', afirma Alonso Pereira da Silva, que se aposentou em abril, acumulando 35 anos e meio de serviço como motorista de ônibus e taxista. Aos 60 anos, ele atende no ponto em frente ao Hotel Bourbon há 20 anos. ''A situação está piorando. Ganho muito menos hoje do que no começo. As despesas só aumentam enquanto o movimento diminui''. Ele conta que arrecada, mensalmente, R$ 1.500 livres por mês. ''Nunca sobra nada. Às vezes, até falta. Aí, eu tenho que apelar pra pensão alimentícia da minha noiva'', diz o taxista, viúvo há oito meses.

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