Aposentados buscam novos rumos
Aposentado, oficialmente, há 9 anos, o inspetor de terminais de cargas Izaías Cardoso Freitas, 57 anos, é um dos alunos do curso criado pelo Senat. Embora não pense em deixar a empresa onde trabalha desde 1964, Freitas faz planos para se lançar em uma nova empreitada.
''Sonho em abrir uma pequena indústria de conservas. Eu já faço algumas em casa, mas às vezes dá certo, às vezes não. Eu teria que fazer um curso para aprender direitinho'', conta. O inspetor se entusiasmou com a palestra ministrada pelo Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae). ''Desde que a pessoa tenha capacidade e saúde, eu recomendo que continue atuante. Além de ter meus planos, continuo na empresa porque me sinto útil como se tivesse entrado nela ontem'', afirma. ''Parar, nunca''.
O pensamento é compartilhado pelo colega Leonardo Moura, 54. Depois de um período de insegurança em relação à aposentadoria, ele decidiu que poderá deixar a empresa e seguir ajudando a esposa, que trabalha com vendas. ''A gente fica pensando se conseguiria ficar parado. Eu acho que não, do jeito que sou elétrico'', comenta. Moura também já faz planos de investimento do capital que poupou ao longo da vida e pensa em aproveitar mais as horas de lazer com seu barco.
A secretária Vera Lúcia Gaion, 52 anos, outra aluna do curso, conquistou a aposentadoria há seis meses e ainda não tem outros planos além de permanecer na empresa. ''A gente entra para trabalhar de manhã, sai no fim da tarde, nem pára pra pensar no que fazer depois de se aposentar. Estou aqui há 30 anos, é uma vida, tenho amizades, conheço todo mundo aqui. Mas agora, fazendo esse curso, dá até pra pensar em fazer alguma coisa, quem sabe uma faculdade?'', considera.
A empolgação é geral entre os participantes do curso, embora haja também muito temor em relação à ''vida após a aposentadoria''. Questionados sobre a visão que têm dessa vida, os alunos foram unânimes em responder que têm medo. ''Mas conhecendo possibilidades, sabendo que existem associações, cooperativas, entidades de apoio aos aposentados, eles deixam de se sentir à beira do abismo'', conclui o psicólogo Alfredo Lepri.





