Aposentados assumem um novo papel
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sábado, 04 de outubro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NegriniAlternativa de soluçãoJuiz Renê Pereira da Costa: Os aposentados se sentirão úteis O juiz da Vara da Infância e Juventude de Maringá, Renê Pereira da Costa, é dono de uma proposta interessante para acabar com um dos graves problemas da cidade: a violência provocada pelas brigas entre turmas de escolares e gangues de bairros.
Até o final deste mês, o juiz pretende convocar aposentados para que trabalhem como vigilantes voluntários nas escolas estaduais e municipais.
Conforme Pereira da Costa, os aposentados deverão ficar nos locais estratégicos dos estabelecimentos de ensino, para identificar os agressores e acionar os representantes de órgãos como o Conselho Tutelar ou o Juizado de Menores.
Os aposentados em geral estão ociosos e por isso acredito que eles devam aceitar este desafio, porque se sentirão úteis ao desenvolver uma atividade em prol da comunidade, defende o juiz. A convocação dos aposentados interessados deverá ser iniciada no final do mês e será feita através da imprensa.
Para atuar como vigilantes da segurança escolar, os aposentados não serão remunerados e receberão credenciais da Justiça.
O juiz Pereira da Costa pretende ainda realizar reuniões com os diretores dos estabelecimentos de ensino e representantes das Associações de Pais e Mestres (APMs) para divulgar a idéia. Tenho certeza que pelo menos 20 voluntários vão aceitar este trabalho imediatamente, mas precisaremos de no mínimo 50 aposentados para atuar em todas as escolas públicas de Maringá, calcula Costa.
Ele explica que em caso de brigas envolvendo estudantes e gangues, o vigilante deverá acionar o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, o SOS Criança ou Juizado de Menor.
Segundo Pereira da Costa, o trabalho dos aposentados é uma alternativa para suprir a deficiência da polícia. Temos que envolver a comunidade para tentar resolver os problemas que afligem a todos, diz.
Os voluntários não vão trabalhar armados e não vão se envolver nas brigas, para evitar o risco de ser agredidos. Talvez os adolescentes não respeitem os aposentados, mas eles terão autonomia para chamar as pessoas que já trabalham com este tipo de abordagem, explica o juiz.
O plano de uso do aposentado no papel de vigilante da segurança escolar, segundo Pereida da Costa, depende somente de ser colocado em prática.


