Aposentadoria não é fim da linha
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segunda-feira, 17 de novembro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
E agora, José? A pergunta do poeta é a mesma de milhões de brasileiros que se aposentam a cada ano no país, e se deparam com uma vida nova depois de décadas trabalhando de sol a sol. Gente como o encarregado Leonardo Moura, 54 anos, 29 deles trabalhando em uma mesma empresa. ''Foi minha mulher quem deu a notícia de que minha aposentadoria havia saído. Me senti perdido. Ela ficou surpresa com minha reação, perguntou por que eu não fiquei alegre se esperei a vida toda por isso'', conta.
Foi com o intuito de orientar pessoas na mesma situação de Moura que o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), em Londrina, criou um projeto para levar informações e idéias a quem já se aposentou ou está próximo de conseguir o benefício. Com a estrutura de um curso, dividido em 15 módulos semanais com quatro horas de duração, o projeto contempla temas diversos como previdência social, investimentos, saúde na terceira idade e até opções para seguir uma nova carreira.
O curso foi inaugurado no mês passado e a primeira turma termina os módulos até o final de dezembro. São 20 funcionários da empresa de transportes Viação Garcia que já receberam o benefício da aposentadoria, mas continuam trabalhando. Foi a própria firma quem solicitou ao Senat que desenvolvesse um projeto que preparasse cidadãos para a aposentadoria. ''Hoje é moda investir nos funcionários, mas sempre visando obter retorno para a empresa. Essa iniciativa é diferente porque dá suporte para uso pessoal, prepara as pessoas para uma vida além da empresa'', assinala o diretor do Senat, Campolim Torres Neto.
De acordo com o psicólogo Alfredo Lacueva Lepri, que está dando assistência ao projeto, a pessoa aposentada pode desenvolver problemas emocionais e físicos se não souber lidar com essa nova fase. ''Enquanto você é um indivíduo atuante, seus valores são incitados pela sociedade. Depois que se aposenta, há um afastamento do meio social. Daí surge um sentimento de pânico, baixa auto-estima, que pode acabar provocando depressão e doenças físicas como um derrame ou até um câncer'', observa.
Torres ressalta que, para evitar tais consequências, o projeto incentiva o aposentado a não ficar parado e, principalmente, fazer aquilo que gosta. ''A partir desse ponto, ele tem a oportunidade de fazer o que lhe agrada sem se preocupar com o retorno financeiro'', indica. Para dar margem de escolha aos aposentados, o curso trata tanto sobre a organização de micro-empresas quanto trabalho voluntário. O projeto inclui também oficinas de criatividade e aulas sobre investimento financeiro e reorientação vocacional.
''A aposentadoria não é o fim da linha. Você só entra na fase do ''re'': repensar, recriar, recomeçar'', conclui o coordenador de desenvolvimento profissional do Senat, Francisco Valério Júnior. Até o início de 2004, o projeto deverá ser estendido a outras empresas interessadas.
SERVIÇO:
Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat)
Av. Santos Dumond, 422/438 Fone: (43) 3323-7571


