Aposentadoria foi interrompida por ação
Se for confirmada para a próxima sexta-feira, a intervenção cirúrgica no joelho de Vanilde Romagnolo vai poupar, além das dores constantes e dificuldades para as tarefas diárias, boa parte dos R$ 300 mensais gastos com remédios. Dinheiro que a dona-de-casa consegue com a pensão do marido, o aposentado Elzio Romagnolo, e com a ajuda de amigos e da filha, Michele Romagnolo. O próprio benefício, uma aposentadoria por invalidez conseguida em novembro de 2002, foi cortado pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) cinco meses depois, sem grandes explicações.
A reportagem da Folha teve acesso à documentação utilizada por Vanilde para conseguir o benefício junto ao INSS. O requerimento foi encaminhado à Previdência em setembro de 2002, com laudo pericial que constatava a invalidez, comprovante de renda da família e vários outros documentos solicitados pelo Instituto. ''Comecei a receber R$ 200,00 em novembro e até ganhei o retroativo dos dois meses anteriores'', contou Vanilde.
Porém, em março de 2003, o benefício cessou. A única explicação que Vanilde recebeu foi uma carta do INSS que dizia que a aposentadoria teria cessado com base em uma ação civil pública datada de 2001. ''Procurei o INSS mas ninguém soube me dizer o que aconteceu'', contou.
Na sede da Previdência Social de Londrina, uma funcionária que não se identificou disse à Folha que o benefício foi concedido a Vanilde por meio de outra ação civil pública, que garantia aposentadoria para pessoas com famílias de renda per capita de até um salário mínimo. ''Mas o INSS recorreu da decisão e ganhou a causa. Com isso, todos os benefícios cedidos com base na ação foram cortados'', explicou. Ainda segundo a funcionária, não há possiblidade de que o benefício seja revisto administrativamente. ''Só uma decisão judicial pode fazer com que o INSS reveja a aposentadoria da dona Vanilde'', afirmou.





