Aposentadoria de cães de guarda é na rua
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Rosiane Correia de Freitas<BR> Equipe da Folha 
O destino de centenas de cães de grande porte utilizados para a guarda de bens e imóveis em Curitiba e região tem sido a rua. A situação é parte da rotina de funcionários e voluntários de organizações de defesa dos animais na cidade. "Esses cães são simplesmente descartados", alerta a presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC), Soraya Simon.
Em 2008, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Curitiba recolheu 530 animais de grande porte das ruas da cidade. Segundo Juliano Ribeiro, coordenador do CCZ, a instituição não tem como avaliar se o número de cães abandonados cresceu porque nos anos anteriores era feito o recolhimento de todo tipo de cão. Hoje só cães que representam risco para a saúde pública são recolhidos pelo CCZ.
"Mas 2008 realmente foi um ano atípico por conta da aprovação da lei que proíbe o aluguel de cães para guarda", diz. A lei, de autoria da Comissão de Saúde, Bem-estar e Meio Ambiente, foi aprovada em novembro na Câmara Municipal e entrou em vigor em janeiro de 2008.
"Depois da proibição virou rotina receber denúncias de cães doentes, maltratados e machucados que são largados na rua ou até mesmo mortos porque não são mais úteis como guardas", conta Soraya. "Muitas empresas de segurança que utilizam cães para esse serviço preferem substituir o animal a tratá-lo e alimentá-lo", diz Marcelo Misga, presidente da organização não-governamental Amigo Animal.
São cães das raças pitbull, rottweiler, pastor alemão, entre outras, que exigem dos protetores dos animais cuidados especiais. "Em geral não dá para abrigar esse tipo de cão com outros cachorros", explica Soraya. Segundo ela, apesar da fama de violentos, pitbulls e rottweilers não são sempre agressivos com as pessoas. "Quando ele está doente, com fome na rua, acaba sendo muito receptivo a ajuda. Ele sabe que precisa da ajuda e aceita", conta.
"É importante notar já na abordagem se o cão é acessível, se deixa a pessoa de aproximar", explica. "Mas tem que tomar cuidado porque se o animal estiver machucado e com dor é possível que ele morda", diz.
"Em geral, quando deixa chegar perto, aceita comida, a abordagem é possível", avalia Misga. No entanto, quando o cão é visivelmente agressivo, a melhor opção, diz, é acionar a Guarda Municipal através do telefone 156. "Eles tem equipamento e preparo para dominar o cão à distância, sem se expor", aponta.
A Guarda, e até mesmo a Polícia Militar, capturam o cão e o encaminham para o CCZ. "Aqui eles ficam em observação por, no mínimo, dez dias. Depois desse período o cão é avaliado por uma equipe de médicos veterinários", explica Ribeiro.
Quando o cão se mostra dócil é encaminhado para adoção. "Mas quando o parecer dos médicos informa que é um animal agressivo, eles são eutanasiados", completa. Segundo Ribeiro, do CCZ, em média, 40% dos cães recolhidos são encaminhados para adoção.
Em Londrina, praticamente todos os dias uma equipe do Corpo de Bombeiros sai para capturar um cachorro de grande porte. Por falta de estrutura para manter os animais, os bombeiros têm pedido a ajuda da população. Durante todo o ano de 2008 foram capturados 385 animais na cidade. Do total, 90% eram cachorros -17 deles da raça pitbull. Os bombeiros conseguiram encontrar um lar para todos os 17 cães. Este ano já foram recolhidos 67 animais e pelo menos três pitbulls foram doados. Para facilitar o trabalho, foi improvisado um banco de dados com nomes de pessoas dispostas a adotar animais recolhidos. De acordo com o porta-voz do 3º Grupamento de Bombeiros, tenente Rodrigo Massayuki Nakamura, a responsabilidade dos bombeiros é de recuperar somente animais de grande porte ou violentos. "Se o cão estiver na rua solto, sem apresentar nenhum risco às pessoas, não recolhemos", afirmou.
No Posto de Bombeiros da Zona Norte, localizado no Conjunto Vivi Xavier, estão abrigados dois cães de grande porte e um vira-latas. Segundo a equipe do posto, eles estavam abandonados na rua. (Colaborou Fernanda Borges)


