Após deixar Garanhuns (PE) e viajar por cinco dias, junto com a mulher e dois filhos, o ex-agente de limpeza Elias Satiro da Silva, de 57 anos, chegou a Londrina. Sem um lugar definido para se instalar, levantou a moradia em um terreno ainda desabitado, no extremo sul da cidade, aos fundos do Jardim União da Vitória. Uma grande área em frente à sua casa era usada para o descarte de lixo e tomada pelo mato alto. Insatisfeito, se armou de uma enxada, algumas mudas e transformou o local em pomar, irrigado com água de uma nascente existente no local.
"Chegamos em Londrina no início da década de 1990, ainda no governo (do ex-presidente Fernando) Collor. Estava um frio danado na época. Nunca tinha sentido nada igual na minha vida", relembra Elias. "Para piorar, não tínhamos casa nem roupa na época, mas recebemos muita ajuda. Hoje estou com seis filhos e seis netos", destaca ele, orgulhoso por ter sobrevivido longe do Nordeste e se estabilizado no Norte do Paraná. "Para o homem trabalhador, não há lugar melhor que Londrina", valoriza.
Em retribuição ao povo londrinense, ele deixou sua marca no chão até então abandonado do União da Vitória. Mudou a cara do bairro, literalmente. "Este espaço era um lixão, um brejo. Aqui só tinha entulho, mato, terra e bicho morto. Até a nascente que existe aqui estava tomada pela sujeira e eu a recuperei. Abri esta valeta na enxada para escoar a água e irrigar as plantas. Hoje há vários pés de manga, laranja, coco, fruta-do-conde, abacate, cana, goiaba e banana e até verduras", mostra o homem.
Além das frutas, Elias Silva cria galinhas e cachorros no espaço. "As galinhas servem para dar ovos e os cachorros para cuidar daqui", explica. Grande parte dos alimentos consumidos pela família de Elias é produzida no terreno. "Quando quero fazer um suco, pego aqui. A minha mistura também sai daqui", acrescenta. Valorizando tanto esforço, a comunidade também preserva o espaço. "Quando os vizinhos me pedem, dou um frango para comer. Mas ninguém rouba aqui não", reforça.
Ele relembra que quando começou a plantar as primeiras foi ironizado pela maioria. "Diziam que este solo era ruim e que só tinha pedra. Então, pergunto, como estas árvores cresceram?", destaca Elias, que se refere ao local como "sua chácara".

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