O presidente da Associação dos Aposentados de Curitiba e Região Metropolitana, Wanderley Lima, diz que a legislação não garante qualquer direito aos idosos. De acordo com ele, as pessoas com mais de 60 anos são discriminadas pela lei e pelo mercado de trabalho. ‘‘Todos recebem uma aposentadoria pequena e não são aceitos pelo mercado por causa da idade’’, afirma ele.
De acordo com os dados do INSS, são pagos mensalmente 410 benefícios de amparo ao idoso no Paraná. Lima diz que além dos benefícios serem mínimos, os valores não são adequados à realidade. A maioria dos aposentados por idade recebe o valor mínimo (R$ 130,00). O teto máximo é de R$ 1.200,00. ‘‘Os poucos idosos que conseguem emprego para complementação salarial conseguem emprego de porteiro ou zelador de prédio e ganham um salário mínimo’’, conta Lima. Segundo ele, o idoso não tem perspectivas de viver com qualidade no Brasil. ‘‘Acho que ser aposentado hoje em dia é um castigo’’, afirma.
O anestesiologista Ney Nascimento, de 76 anos, ainda exerce a profissão na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Ele trabalha no local há 51 anos e diz que está cumprindo o seu papel. ‘‘Acho que não faço nada de extraordinário, estou cumprindo a minha obrigação’’, diz Nascimento. O anestesiologista afirma que não pretende deixar a profissão. ‘‘Deus tem me dado forças para continuar trabalhando e não tenho previsão de parar’’, salienta.
A atriz Lala Schneider, de 73 anos, também não quer parar. Ela é considerada a ‘‘Dama do Teatro Paranaense’’ e pretende continuar apresentando suas peças por muitos anos. ‘‘Sei que um dia terei que parar, mas me sinto bem e saudável’’, afirma. Para Lala, as mulheres têm mais disposição para o trabalho e parar de fazer o que gosta poderia representar o fim da vida. ‘‘Sempre que estiver trabalhando não me sentirei idosa, acho que ajo como uma criança, sempre feliz’’, comemora.(L.P.)

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