O aposentado Amazino Guerber, 84 anos, registrou queixa na 10ª Subdivisão Policial de Londrina contra o ex-genro, Rogério Antunes, acusando-o de maus-tratos contra o neto, o menor F.R.G.A., de nove anos. Segundo ele, o menino era agredido fisicamente pelo pai e pela madrasta, Michele Antunes. Ontem, Guerber procurou a Vara da Infância e Juventude porque quer a guarda definitiva do garoto.
Rogério Antunes foi casado com a filha adotiva de Amazino, Adriana Guerber, que morreu há sete anos. F.R.G.A. nasceu na casa dos avós, no jardim Leonor (zona oeste), onde também moravam seus pais. Amazino conta que meses antes de morrer, Adriana e o marido mudaram para uma casa no Bairro Cervejaria (zona leste). Desde que Adriana morreu, segundo ele, o neto vem sendo criado pelos avós. ‘‘Ele (Rogério) nunca deu nada para o menino e nem o visitava. Nós sempre sustentamos o menino’’, afirma.
Mario CesarAs marcas das tampinhas no joelhoEm dezembro do ano passado, Rogério Antunes, já casado novamente, apareceu na casa de Amazino dizendo que queria ficar com o filho. ‘‘Eu fui porque achei que ia ser melhor. Mas cheguei lá e vi que não era’’, confessa o menor. ‘‘Sentia saudades dos meus avós e também tinha mais conforto na casa deles’’, acrescenta. Rogério e Michele têm uma casa no Jardim Santa Rita 6 (zona oeste).
O menino diz que praticamente todos os dias apanhava do pai e da madrasta. ‘‘Eu não fazia nada, mas eles me batiam’’, garante. Ele conta que levava tapas, apanhava de cinto e costumava ficar de castigo. O garoto afirma ainda que muitas vezes o pai chegava bêbado em casa.
A última vez que apanhou foi há alguns dias. Ele conta que Michele disse ao pai que o filho não tinha tomado banho. ‘‘Eu disse que já tinha tomado banho, mas ele não acreditou’’, relata. Por causa disso, ele teve que ficar ajoelhado durante meia hora em cima de tampas de garrafa. Os joelhos do garoto apresentam várias marcas de tampas. Ele apresenta marcas também na orelha e conta que foram provocadas pelos puxões e tapas que levava da madrasta.
Mostrando uma pequena marca de queimadura em uma das mãos, o garoto conta que a madrasta foi a responsável. ‘‘Eu errei na tarefa e ela me queimou com ferro’’, afirma. Ele conta que antes estudava em uma escola próxima à casa dos pais, mas Michele transferiu-o para o Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic). ‘‘Ela não queria que eu visse mais os meus avós’’, garante.
Na quarta-feira, segundo o garoto, o pai deixou-o próximo à casa dos avós. Amazino relata que quando o menino apareceu, não percebeu nada. No dia seguinte, ele levou o neto para o Caic. ‘‘Quando eu estava no ponto de ônibus, ele veio correndo e, chorando, disse que não queria mais ficar com o pai porque era maltratado.’
F.R.G.A. diz que não contou antes aos avós sobre os maus-tratos porque estava com medo dos pais. Bastante revoltado, Amazino foi anteontem à noite registrar queixa na 10ª Subdivisão Policial de Londrina. Ontem de manhã, ele levou o neto para fazer exames de lesão corporal no Instituto Médico Legal.
À tarde, Amazino, junto com o neto, esteve conversando com a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paulo. ‘‘Eu e a minha mulher temos dinheiro da aposentadoria e do aluguel de uma casa. Acho que isso basta para sustentar o menino’’, observa.
A promotora informou que irá solicitar a suspensão do pátrio poder do pai até que a investigação do caso seja feita. A criança, por enquanto, ficará com os avós. Se comprovado tudo que a criança disse, ao final da investigação, segundo ela, o pai será destituído do pátrio poder, que será repassado ao avô.
A Folha procurou Rogério e Michele Antunes ontem de manhã, mas a casa estava fechada.

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