Aposentado morre ao saber que perdeu carro
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quarta-feira, 11 de maio de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Após receber a notícia de que seu carro tinha sido arrematado em um leilão do Departamento de Trânsito (Detran), o aposentado Sebastião Casciano, 66, sofreu um ataque cardíaco e morreu em frente à sede do órgão, anteontem, em Londrina. Ele foi enterrado ontem no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte). Revoltados com a morte, familiares pretendem cobrar explicações do Detran.
A vítima vendeu sua Brasília em 2000, mas não efetuou a transferência para o nome do comprador. No ano seguinte, o veículo foi apreendido por ter se envolvido em uma infração de trânsito. ''Desde então, ele recebia multas em casa'', contou a filha do aposentado, Sueli Fátima Casciano.
Preocupado com a situação, Casciano procurou o Detran e, segundo Sueli, foi orientado a pagar a dívida, acumulada em R$ 700,00, para recuperar o carro. Após economizar o valor, ele que recebia um salário mínimo mensal voltou ao órgão na última segunda-feira e quitou o débito. Anteontem, tentou retirar a Brasília, mas foi informado que o carro tinha sido vendido para desmanche. Nervoso, passou mal e faleceu em frente ao prédio.
O aposentado tinha problemas cardíacos mas, de acordo com Sueli, estava saudável após ter se submetido a uma cirurgia em 2003. ''Ele morreu por causa do desgosto'', lamentou. Consternada pelo acontecimento, ela pretende reaver o dinheiro pago pelo pai. ''Não vai trazer meu pai de volta, mas pode evitar que façam isso com outras pessoas. Quero uma boa explicação do Detran.''
O chefe da 12 Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) em Londrina, Rubens Loureiro, confirmou que o veículo de Casciano foi recolhido em 2001 em uma blitz realizada em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) e leiloado no mesmo ano. ''Ele (Casciano) foi informado por carta tanto do recolhimento quanto do leilão'', afirmou.
Apesar de o carro já ter sido leiloado, em janeiro deste ano os débitos registrados até a venda foram inscritos em dívida ativa. Loureiro afirmou que o aposentado foi notificado da inscrição. ''Por isso ele deve ter resolvido tomar providências.''
Loureiroafirmou que Casciano não tinha direito de receber o carro de volta, mas era responsável pelo pagamento da dívida porque não transferiu o veículo para o comprador quando comercializou o bem. ''Se ele não pagasse, poderia ter outros bens penhorados'', disse, acrescentando que a família não terá direito à devolução.
Ele também garantiu que nenhum funcionário do Detran em Londrina informou ao aposentado que ele conseguiria reaver o carro. ''Ele pode ter interpretado alguma informação erroneamente.'' Outra possibilidade, segundo Loureiro, é que ele tenha recebido orientações equivocadas no Detran de Rolândia, onde também buscou informações sobre o problema. Através da assessoria de imprensa do Detran em Curitiba, a Folha tentou falar com responsáveis pelo órgão em Rolândia, mas ninguém foi encontrado.


