Aposentado mora em rua sem nome
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de julho de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Para não precisar ir até o prédio da Prefeitura de Londrina e obter o carnê de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o aposentado Ukio Mitugui, 66 anos, precisou ''mudar'' de endereço e usar o de uma filha. Isso porque a rua onde ele mora, numa área de chácaras no Conjunto Lindóia (Zona Leste de Londrina), não tem nome.
O aposentado brincou que ''em Londrina, existe rua sem nome mas existe também nome sem rua'', numa alusão à recente disputa para nomeação da Avenida Ayrton Senna (Zona Sul). Antes mesmo da obra de construção ser iniciada, havia a possibilidade da estreita ruazinha de terra ter seu nome alterado para Avenida Nassim Jabur. Mas acabou prevalecendo o desejo dos moradores e a via manteve o nome original.
Mitugui disse que, além do IPTU, o carteiro também não entrega a fatura da conta de energia elétrica. É a própria Copel quem faz a entrega, através do número do relógio de medição de consumo. Já a conta de água é retirada diretamente na estação de tratamento de esgoto que fica localizada na rua. Segundo o aposentado, outros 15 moradores também estariam passando pelos mesmos transtornos.
Ele criticou que nomear ruas não deveria ser atribuição da Câmara de Vereadores, como acontece hoje. ''Os vereadores perdem tempo e dinheiro dando nome às ruas. Isso deveria ser feito pelos clubes de serviços como o Rotary e Lions'', opinou.
Segundo o setor de geoprocessamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), a rua onde o aposentado reside há mais de quatro anos realmente não foi nomeada. Mas, de acordo com informações do Ippul, a via não é oficial, embora tenha benfeitorias como linhas telefônicas e iluminação pública, pois foi construída em área particular. Um funcionário do Ippul orientou os moradores a se reunirem, escolherem um nome e procurarem a Câmara para conseguirem nomear a via.
Enquanto existem ruas sem denominação, há outras com nomes demais. É o caso de uma via paralela à Avenida Saul Elkind (Zona Norte) que tem quatro nomes: Rua Severino Santini, Rua Euclides Figueiredo, Alexandre Santoro e Avenida Rubiácea. Mas a multiplicação dos nomes tem explicação, segundo informações do Instituto. Os nomes se alteram em razão de obstáculos como rotatórias e cruzamentos com avenidas.
A mesma situação acontece com a Rua Senador Souza Naves (Área Central). Do cruzamento com a Rua Amapá, na Vila Recreio, até o cruzamento com a Avenida Leste-Oeste, a via é conhecida por Ouro Preto. Da avenida até a rotatória da Alameda Manoel Ribas, ela é chamada de Minas Gerais. Da rotatória até as proximidades do Lago Igapó 1, o nome oficial é Souza Naves, de mão única. No lago, ela passa a ser chamada de Rua da Canoagem, já com mão dupla.


