Ser vítima de uma fraude, ter a honra e a responsabilidade postas em xeque sem ter culpa nenhuma no cartório, no banco, na praça. Se tudo isso já é bastante desagradável para quem se desdobra para pagar todas as contas em dia, imagine se, três meses depois de provar a própria inocência, a mesma fraude acontece novamente. E se, ao tentar comunicar a instituição responsável para evitar uma terceira ocorrência, ainda ser encaminhado para outro setor, que manda ligar para o 0800, que manda ligar para o disque-denúncia, que diz que é com o 0800.
Quem perdeu a paciência só de ler o parágrafo acima deve ter idéia do que vem vivendo o pastor Arno Deggau, 81 anos, em relação a sua aposentadoria. Em fevereiro deste ano, o aposentado constatou que havia um desconto de R$ 244 no valor total dos proventos. Ao reclamar no INSS, foi informado de que o órgão não poderia fazer nada, sob a justificativa de que quem faz os empréstimos são os bancos e financiadoras. Ele conta que apenas em sua quarta ida ao mesmo local recebeu um número de telefone da Previdência em Brasília, do PrevFone e do Disque-Denúncia da instituição. Só assim pôde constatar que havia um empréstimo de R$ 4.835,50 em seu nome, dividido em 36 parcelas.
Com o banco onde foi efetuado o empréstimo, a negociação foi mais simples, mas era necessário enviar pelos correios uma declaração de jamais ter solicitado o empréstimo e cópias dos documentos pessoais, comprovante de residência e boletim de ocorrência. Deggau chegou a receber a restituição inclusive de parcelas que nem chegaram a ser descontadas, e honestamente comunicou o banco e devolveu a quantia excedente.
O valor do benefício só foi regularizado em maio, mas já no mês seguinte apareceu um novo desconto, desta vez de R$ 236,00. Novamente, não adiantou procurar uma agência do INSS pessoalmente. Um funcionário do PrevFone informou que o caso era de competência do Disque-Denúncia, e este o orientou a procurar o PrevFone. Depois de conseguir detectar a origem do empréstimo, o aposentado ainda precisou descobrir sozinho onde ficava a agência bancária, contatá-la e novamente tomar os procedimentos necessários para receber o montante devido.
Para resolver esses dois casos, Deggau conta que precisou ir mais de cinco vezes ao INSS, telefonou oito vezes para Brasília, seis vezes para Belo Horizonte (cidade onde se localiza a sede de um dos bancos), duas vezes para Curitiba e gastou cerca de 50 horas de seu tempo tudo para cancelar procedimentos que não foram solicitados por ele. ''Se for somar todas as despesas que tive até agora, calculo que os gastos ultrapassam R$ 250'', resigna-se.
As duas instituições em que foram realizados os procedimentos fraudulentos exigem que o aposentado vá pessoalmente fazer a solicitação, além de apresentar comprovante de residência recente, RG, CPF e carteira da previdência originais. Uma das razões da exigência é justamente não permitir que tanto o cliente quanto o banco sejam vítimas de estelionato. Todos os pedidos de empréstimos para aposentados com desconto na aposentadoria dependem ainda da aprovação do INSS.

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