Lucinéia Parra
De Maringá
Um aposentado de 60 anos e um jovem de 15 foram assassinados durante o final de semana em Maringá. No sábado, por volta das 18h30, o adolescente Marcelo Ferreira Terra, 15 anos, foi assassinado com três golpes de faca no pescoço. Marcelo, conforme a polícia, teria agredido a mulher e os filhos do policial Alício Herédia. Kids Moreira da Silva, cunhado do genro de Alício, é o principal acusado de ter assassinado o garoto.
Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar, Marcelo teria provocado o policial no dia 31 de dezembro, efetuando vários disparos. Nenhum tiro acertou o policial. No sábado, dia 1º de janeiro, Marcelo teria invadido a residência e efetuado novos disparos contra o policial, que disse não ter reagido por temer a segurança da família. Antes de deixar a casa, conforme a PM, Marcelo teria agredido a mulher e os filhos de Alício. Já na rua, Marcelo teria sido dominado por Kids Moreira da Silva, que surpreendeu o jovem com os golpes de faca.
A família de Marcelo está inconformada. A mãe, Maria Zacarias da Silva, 35 anos, disse que o filho trabalhava como caixa de supermercado e que jamais se envolveu com drogas e bebida. Ela desmentiu a versão da polícia para o assassinato. Segundo ela, Marcelo não invadiu a casa do policial. ‘‘É tudo mentira o que eles estão falando.’’ Conforme Maria, foi o policial quem, na véspera do Ano-Novo, ameaçou Marcelo e correu atrás dele. ‘‘No sábado, meu filho não conseguiu fugir dos parentes e amigos do policial’’, afirma.
De acordo com o tio do garoto, José Antonio Zacarias da Silva, 36 anos, o desentendimento entre Marcelo e o policial começou a partir da vitória do Corinthians no Campeonato Brasileiro de Futebol. ‘‘O policial é palmeirense e não gostou da brincadeira do meu sobrinho e amigos deles. Alício tinha ameaçado matar Marcelo’’, disse.
No domingo, o aposentado Sebastião Gonçalves, 60 anos, foi assassinado com golpes de faca. Ele sofria de paralisia cerebral. Gonçalves morava em uma edícula no fundo da casa do sobrinho Sebastião Moraes, junto com José Devanir Correia. Segundo depoimento de Sebastião, o tio foi encontrado morto na manhã de domingo com uma faca cravada no peito. José Devanir confessou o assassinato. Ele disse que matou o tio porque tinha ‘‘ouvido vozes dizendo para ele eliminar os demônios’’.
José Devanir foi internado no Sanatório de Maringá, onde já esteve internado duas vezes antes do crime. A polícia vai investigar a responsabilidade do sobrinho no crime.