Ibipora Acostumado a pedalar praticamente todos os dias, o aposentado João Wolcov, 62 anos, pegou sua bicicleta na tarde de domingo para visitar um amigo. Quando retornava para casa, no entanto, foi atropelado pelo comerciante Elias Marques da Silva, 43 anos, na Avenida Prefeito Mário de Menezes, Centro de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). O trágico de acidente de trânsito foi agravado pela atitude inesperada tomada pelo condutor: o corpo do aposentado ficou preso às ferragens e Silva o teria arrastado por mais de seis quilômetros.
Segundo relato do delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, o comerciante seguia com sua Belina pela avenida por volta das 17 horas quando, na altura do cruzamento com a Rua Xavier da Silva, atropelou o aposentado, que tentava atravessar a pista. Com o impacto, o corpo da vítima foi projetado contra o pára-brisas e ficou enroscado na lataria do veículo. De acordo com a policia, mesmo diante de diversas testemunhas, o condutor não parou e seguiu até uma estrada de terra, às margens da BR-369, no limite com o município vizinho de Jataizinho. O corpo foi abandonado no local e, alguns metros adiante, policiais militares da Rone prenderam Silva em flagrante. A lateral da Belina e o banco do carona ficaram impregnados por grandes manchas de sangue.
Na base da Polícia Rodoviária Estadual, o comerciante foi submetido ao teste do bafômetro, que constatou que ele tinha 0,85 miligramas de álcool por litro de sangue. O Código Brasileiro de Trânsito prevê que o motorista não pode dirigir quando essa concentração ultrapassa o limite de 0,06 mg de álcool/litro de sangue.
À Folha, o comerciante contou que não havia almoçado e tinha bebido algumas cervejas com amigos antes de tentar dirigir de volta para casa. Ele falou que dirigia sozinho pela avenida quando ouviu um barulho semelhante a uma colisão. ''A única coisa que me lembro é da pancada. Sinceramente. Depois, só lembro que entrei na estrada de terra, dei uma freada e ouvi o barulho do pára-brisas que caiu'', detalhou, completando que conhecia a vítima. Silva disse que só foi ter consciência de que havia atropelado alguém ontem pela manhã, quando viu a calça que vestia toda suja de sangue. O comerciante garantiu que não costuma dirigir embriagado e que fazia cerca de um mês que não fazia uso de bebida alcoólica.
Consternado mas sereno, o advogado Mauro Wolcov, 49 anos, um dos três filhos do aposentado, lembrou que o pai adorava andar de bicicleta. ''Ele pedalava por esporte mas por prazer também'', ressaltou. João Wolcov chegou em Ibiporã com os pais há seis décadas e, segundo a família, amava a cidade onde era conhecido por todos. No domingo, tinha ido justamente visitar um velho amigo quando, na volta, foi atropelado. O aposentado era casado há 52 anos com Ilda, 68 anos.
O delegado apontou que o motorista foi autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual já que teria assumido o risco de produzir o resultado trágico ao dirigir embriagado e permanecerá preso na Delegacia de Ibiporã à disposição da Justiça. ''Esse crime é inafiançável e somente um juiz poderá lhe conceder algum tipo de benefício'', observou Belinati.
O corpo de João Wolcov foi velado em uma igreja evangélica e o sepultamento aconteceu ontem, no final da tarde, no Cemitério Municipal de Ibiporã.

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