Aposentado é assassinado na cadeia
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Preso por embriaguês e desordem, o aposentado Pedro Barbosa, 85 anos, foi assassinado domingo à noite na cadeia de Cruzeiro do Oeste (25 quilômetros a leste de Umuarama). A polícia só encontrou o corpo do aposentado no final da tarde de anteontem, quando funcionários foram limpar a cela. Segundo o delegado Roberto Penteado, por causa de um mal entendido na segunda-feira de manhã, todos os funcionários pensaram que o idoso já tinha sido liberado.
O caso só se tornou público porque a filha do aposentado, a funcionária pública Marlene Barbosa, com quem ele morava, procurou o repórter policial Devaor de Andrade, de Umuarama, e disse que a polícia estava tentando encobrir o caso. Ela chegou a acusar o carcereiro Roberto Alves de espancar e matar o pai dela. Marlene contou ao repórter que procurou o pai na delegacia segunda-feira de manhã e foi informada de que ele já havia ido embora. À noite, recebeu a notícia de que o pai estava morto. De acordo com o laudo do Instituto Médico-Legal de Umuarama, Pedro Barbosa foi morto com pancadas na cabeça e teve a língua estraçalhada. Ele ficou preso numa cela junto com dois travestis, detidos por agredir uma pessoa na rua. Carlos Alberto Aparecido Carneiro, 18 anos, conhecido como Carlota, e Sidney Lopes da Silva, 20 anos, conhecido como Márcia, moram em Maringá e têm parentes em Cruzeiro do Oeste. Ontem, o delegado informou que iria pedir a prisão preventiva dos dois, que estão desaparecidos.
Penteado explicou que a cela onde os três estavam detidos fica separada do prédio da delegacia. É um cômodo que restou do prédio antigo e que usamos para encarcerar bêbados e desordeiros, geralmente liberados no mesmo dia. Como a cela fica há mais de 50 metros do prédio da delegacia, o carcereiro não teria ouvido nenhum barulho durante a noite.
Penteado alega que na segunda-feira de manhã, a pedido do escrivão Haroldo Aparecido Freire, uma funcionária buscou os dois rapazes na cela e depois liberou-os após registrar a ocorrência de agressão. Quando foi soltar o idoso, Freire teria visto a cela aberta e presumido que ele já teria ido embora. Segundo o delegado, já era comum Pedro Barbosa passar a noite na cadeia, a pedido da própria família, quando bebia e criava problemas. Ainda de acordo com o delegado, Marlene teria procurado a polícia somente no final da tarde de anteontem, quando resolveram averiguar a cela. O carcereiro nega ter agredido o idoso, mas ao dar sua versão afirmou que o corpo foi encontrado quando os funcionários resolveram limpar a cela.
O corpo de Barbosa estava num colchão, coberto por um cobertor. Penteado abriu inquérito para apurar o caso. Em outro inquérito, administrativo, o delegado-chefe da Subdivisão Policial de Umuarama, Edson Camargo Barros, vai apurar a responsabilidade da polícia.


