Aposentado dá lição de solidariedade
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O espírito solidário enxergou pelos olhos de Benedito do Nascimento Pizi, 61 anos, uma carência na Santa Casa de Londrina. Ontem ele entregou à irmandade sete pijamas, duas fronhas e dois lençóis destinados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) tratados ali. ''Queria doar 100, mas por hora é o que consegui arrumar'', lamentou o ex-pedreiro, que gastou parte de sua aposentadoria para fazer a doação.
A idéia surgiu durante a última internação de Pizi naquele estabelecimento. Mês passado, ele foi submetido a uma cirurgia para confecção de fístula artério-venosa (ligação entre artéria e veia) necessária à realização de hemodiálises. Durante os quatro dias que esteve hospitalizado, o aposentado percebeu que faltavam roupas para os pacientes e decidiu colaborar. ''Algumas pessoas riram de mim e disseram que sou bobo. Para eles, a Santa Casa é rica e não precisa disso. É impossível que profissionais maravilhosos que trabalham aqui não ofereçam pijamas porque não querem'', explicou.
Segundo a irmã Efigênia Zago, gerente de hotelaria da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), o déficit no enxoval é resultado do excesso de ferro na água consumida pelo prédio. Este desequilíbrio químico, aliado às frequentes lavagens, deteriorou as peças em três meses. ''Graças às doações e pequenas compras, estamos recuperando as perdas. Paralelamente, alteramos a rotina da lavanderia e a troca de roupas'', justificou.
Anualmente, a Iscal utiliza 10 mil metros de algodão cru (largura dupla) para fabricar os lençóis, fronhas, pijamas, aventais e embalagens para equipamentos e materiais esterelizáveis, além do cretone, utilizado para os uniformes e o brim necessário para confeccionar os campos cirúrgicos. Estes tecidos são transformados pelas mãos de oito costureiras e distribuídos em outros cinco estabelecimentos de saúde administrados pela Irmandade (Hospital Infantil, Mater Dei, Hospital São Rafael, de Rolândia, e dois centros ambulatoriais).
''Ao invés de passarmos o tempo criticando quem não faz, deveríamos tomar a iniciativa e mudar essa história. Sabendo administrar o dinheiro, qualquer um pode'', ensinou Pizi, que investiu o dinheiro do PIS nesta idéia. Quem quiser imitá-lo, pode ligar para a irmã Efigênia no seguinte telefone: (43) 3373-1500.


