O aposentado João Bianor de Queiróz, 73 anos, confirmou ontem que deu dois tiros que mataram o estudante Everson Domingues da Silva, 14 anos, durante festa ocorrida no centro comunitário do jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste de Londrina), em 7 de maio do ano passado. O aposentado estava foragido desde a época do crime e foi detido na quinta-feira em Nova Odessa, interior de São Paulo. Desde ontem, ele está preso no 4º Distrito Policial (zona sul).
Segundo o aposentado, o estudante costumava praticar furtos e havia ameaçado invadir o centro comunitário e acabar com a festa. Ele negou que Everson da Silva tivesse pedido um sanduíche de pão com carne moída e iniciado a discussão que terminou na sua morte. ‘‘Isso é mentira’’, afirmou. Mas o delegado do 4º DP, Jurandir Gonçalves André, informou que o inquérito contradiz o acusado. ‘‘As provas dizem que ele matou o menino por causa de um pedaço de pão’’, explicou.
João de Queiroz informou que, após o crime, fugiu para Bela Vista do Paraíso (norte do Estado), onde ficou alguns dias. Depois, ele foi para Goiás, Pernambuco e, nos últimos meses, estava em Nova Odessa, na casa de parentes. Ele afirmou que não se apresentou à polícia porque não conseguiu contratar nenhum advogado.
O delegado do 4º DP explicou que tentou, junto à família do aposentado, fazer com que ele se entreguasse. Jurandir André disse que visitava a família frequentemente e conseguiu alguns documentos e números de telefone que foram utilizados para encontrar João de Queiróz. Segundo o delegado, o inquérito será concluído na próxima terça-feira, já que falta apenas ouvir formalmente o acusado.
Jurandir André explicou que se o aposentado for condenado, a pena poderá ser reduzida porque ele tem mais de 70 anos. O advogado da família da vítima, Ronaldo Cosate, acredita que o julgamento acontecerá rapidamente, mas esclarece não esperar que aconteça em poucas semanas.
Parentes da vítima foram ontem de manhã no 4º Distrito para acompanhar a apresentação do aposentado à imprensa. ‘‘Vim aqui para ver a cara dele’’, alegou a mãe do estudante, Edna Maria Tasse da Silva. Ela disse que agora espera justiça e negou que seu filho costumava furtar. ‘‘Se ele fazia isso, eu nunca vi’’, afirmou. A madrasta do garoto, Irene Alves Guimarães, garantiu que ele não estava fazendo bagunça durante a festa, como alegou o aposentado. ‘‘E mesmo que estivesse fazendo alguma coisa de errado, nada justifica ele ter atirado’’.

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