Os estragos na casa do aposentado Roberto Colli, 62 anos, no Jardim Leonor (zona oeste de Londrina) são visíveis por toda parte. As paredes externas apresentam rachaduras horizontais de uma extremidade a outra. Portas e janelas não fecham. Os cômodos têm trincas de todos os tamanhos; na cozinha, as rachaduras na parede superior deixam a impressão de que o teto pode ceder a qualquer momento.
Todo esse estrago surpreendeu os moradores de uma hora para outra, depois do vazamento de um cano na rede de água da Sanepar. O laudo técnico assinado por um engenheiro da prefeitura, logo após o ocorrido, apontava trincas de 45 graus de inclinação nas paredes, danos no piso da garagem e desnivelamento em portas e janelas. Para desespero do proprietário, a solução para o problema não foi tão rápida quanto o estrago. O incidente ocorreu no final de março. Desde então, Colli tenta conseguir a indenização junto à Sanepar, para poder consertar a casa. ''Enquanto isso, nem podemos sair de casa, porque a porta da rua não fecha por fora'', lamenta a esposa de Colli, Iraci, 55 anos.
O aposentado diz que perdeu a conta de quantos contatos fez com a empresa. Inicialmente, a pedido da Sanepar, ele encomendou dois orçamentos relativos aos reparos. Os valores apresentados por duas empresas variaram entre R$ 13,2 mil e R$ 13,8 mil. Depois de apresentar os orçamentos, Colli conta que a Sanepar lhe pediu um prazo de 40 dias. ''Eles me chamaram e achei que finalmente o dinheiro ia sair, mas queriam renegociar o valor da indenização'', recorda. Depois de recusar a oferta de R$ 10,5 mil feita pela Sanepar, Colli aceitou receber R$ 11,5 mil. Mais de dois meses depois, o aposentado afirma que perdeu a paciência diante da demora em conseguir seus direitos.
O gerente de operações da Sanepar em Londrina, Sérgio Bahls, declarou que processos de ressarcimento costumam ser demorados, mas admitiu que, neste caso, ''a tramitação está um pouco além do normal''. De acordo com o gerente, a empresa precisa fazer avaliação rigorosa do valor a ser pago, já que trabalha com dinheiro público. ''Ele (Roberto Colli) queria fazer da Sanepar um balcão de negociação. Não podemos conceder mais do que o justo'', argumentou. Bahls prevê que o ressarcimento ainda demore cerca de 90 dias para ser liberado.

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