Começou ontem, no Tribunal de Júri, em Curitiba, o julgamento do investigador da Polícia Civil aposentado, Orlando Carneiro, 56 anos. Ele confessou ter matado com um tiro no peito, na noite de 28 de novembro de 1998, Edivaldo Soares de Araújo, acusado de ter estuprado a sua filha, Christiane Carneiro, 33 anos.
Taís de Araújo, mulher da vítima, prestou depoimento à tarde e alegou a inocência de seu marido. Segundo ela, Edivaldo sempre manteve um bom relacionamento no casamento e estava se preparando para ser pai. ‘‘Ele seria incapaz de fazer uma coisa dessas’’, disse.
Segundo o advogado de Orlando, Cláudio Dalledone, a polícia deveria ter agido com rapidez logo após a denúncia. ‘‘O atentado ao pudor aconteceu em 16 de outubro mas ainda assim, mesmo com a queixa de Christiane, ela foi realizar exames somente no dia 5 de novembro’’, afirmou.
O descaso da polícia pode ter provocado a reação de Orlando. Após ouvir a filha, ele mesmo iniciou as investigações e procurou Edivaldo. Em sua versão ele recebeu uma agressão do jovem e atirou em seu peito. Posteriormente levou o cadáver para uma chácara na Lapa (100 km a oeste de Curitiba) e se entregou à polícia no dia 17 de dezembro.
Entre os depoimentos previstos para a noite de ontem, estava o de Vanessa Alice, da Delegacia de Homicídios, que na época estava à frente da Delegacia da Mulher, e Christiane Carneiro. O julgamento continua hoje.

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