O destino do material reciclável que não está sendo recolhido pelas Ongs preocupa a professora aposentada Eleonora Marchese. Consciente das condições do aterro e dos prejuízos ambientais causados pelo descarte desses produtos, ela continua separando o lixo, apesar da Ong responsável pela coleta não passar com regularidade no Jardim Caravelle (Zona Leste), onde fica sua residência.
''Os coletores já chegaram a ficar três semanas sem passar. Quando isso acontece, ligo para a presidente da Ong para que eles recolham o lixo'', contou a aposentada, que não gosta de entregar os recicláveis para catadores autônomos. ''Eles pegam os materiais de mais valor e colocam o restante no lixo comum. Os resíduos acabam indo para o aterro.''
Entusiasta do programa de reciclagem, ela lamenta a crise enfrentada pelas Ongs. ''Londrina foi pioneira na separação do lixo reciclável. Vai ser uma pena se o programa não voltar a funcionar'', disse. Eleonora - que não tem coragem de descartar resíduos sólidos no lixo orgânico - acredita que a principal dificuldade da coleta seletiva é a falta de condições de trabalho dos recicladores. ''Antes eles puxavam carrinhos. Depois, conseguiram comprar uma Kombi que vive quebrada. Deve ser difícil trabalhar assim'', opinou. (C.A.)

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