Aposentada mata companheiro com tiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de julho de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Paulo WolfgangAtos estranhosValdicéia ontem no 2º DP: Ele nunca tinha agido assim antesValdicéia vendeu
apartamento em
São Paulo para
morar com AdeíltonA enfermeira aposentada Valdicéia Ferreira, 55 anos, matou na noite de anteontem, com um tiro nas costas, o companheiro Adeílton Costa da Silva, 45, com quem vivia há mais de 20 anos. O crime aconteceu próximo ao Terminal Rodoviário. Ela foi presa em flagrante e encaminhada ao 2º Distrito Policial.
Valdicéia contou que morava em Santos (SP) e trabalhava em São Paulo até o ano passado. Por sugestão do companheiro, em novembro pediu as contas do serviço, vendeu o apartamento e mudou-se com para Faxinal, onde tem familiares. Segundo ela, Adeílton alugou uma casa em Londrina, na vila Casoni (área central), para ficar mais perto do serviço - ele trabalhava com venda de alumínio. Ele a visitava em Faxinal duas vezes por semana e também todos finais de semana. De um tempo para cá, a enfermeira começou a desconfiar que ele tinha uma amante.
Na segunda-feira, Valdicéia disse que ligou para Adeílton perguntando se poderia receber a pensão do pai dela. Já no telefone ele discutiu comigo e disse que não sabia se ia ou não pegar a pensão. Então resolvi ir sozinha. A aposentada contou que chegou a Londrina de ônibus por volta das 19h30 e foi direto para casa da vila Casoni. Ele começou a me xingar e disse que não poderia passar a noite ali, teria que ir embora de qualquer maneira ou então ficar num hotel. Ele nunca tinha agido assim comigo antes.
Segundo ela, Adeílton a colocou na perua Kombi que usava no serviço e tocou direto para a Rodoviária. Lá, a teria empurrado com violência para fora da perua. Neste momento, ela conta, o revólver que Adeílton portava caiu no chão sem que ele percebesse. Chamei por ele e ele saiu correndo. Aí eu peguei o revólver e atirei.
O advogado Clóvis Roberto de Paula, que defende Valdicéia, disse ontem no começo da noite que ainda não conhecia o auto de flagrante mas que certamente iria pedir o relaxamento da prisão da cliente. Essa mulher estava bem de vida. O apartamento valia R$ 35 mil, e ainda recebeu outros R$ 8 mil de acerto de onde ela trabalhava. E ele (Adeílton) acabou com tudo.


