Aposentada fica ''ilhada'' por empresa
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segunda-feira, 01 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A aposentada Claudina Gelinda Scopel, 62 anos, mora numa chácara no Parque Rui Barbosa (zona leste) há mais de quinze anos mas não pode receber correspondência nem as contas e taxas porque a rua que dá acesso a sua casa foi fechada para o trânsito pela empresa de produtos químicos para agricultura, Milênia Agrociências. O resultado é que praticamente ninguém consegue localizar a chácara pelo endereço original: rua Paulo Galli Palma, números 12 e 13.
Ela contou que se mudou para a região em 1985. Alguns anos mais tarde, a Milênia comprou uma série de chácaras ao redor da fábrica - a aposentada foi a única que não negociou suas terras - e se expandiu para além do limite da rua, que ficou, em sua maior parte, circunscrita na área interna da empresa.
A Prefeitura Municipal reconheceu a rua em 18 de julho de 2000 e a via foi incluída oficialmente na planta do município. A decisão, entretanto, não resolveu o problema de Claudina, pois a empresa já havia interrompido a passagem da rua com um muro. O emplacamento teve que ser retirado porque a rua que dá acesso à chácara de Claudina, aberta pela Milênia, não está legalizada.
A aposentada exemplificou sua situação relatando o que teve de fazer para conseguir ser abastecida pela rede de água da Sanepar. Em 1987, Claudina solicitou que os antigos vizinhos a autorizasse a passar um encanamento pelas suas terras até chegar a rua Vicente Poletti, uma distância aproximada de cerca de 400 metros. Depois de comprar as chácaras, a Milênia tentou retirar os canos, mas foi impedida pela Justiça.
Para receber correspondências, o problema não é diferente. Contas de telefone, energia elétrica e taxas municipais são entregues em residências de parentes que moram no centro. Benfeitorias municipais também não chegam até a chácara e a conservação do pequeno trecho público da Paulo Galli Palma é feita pelo caseiro da aposentada. ''Quero provar para as autoridades que a empresa foi irresponsável, porque se agisse dentro da lei, o problema já estaria resolvido'', afirmou a aposentada.
A assessoria de imprensa da Milênia reconhece que obstruiu a rua com um muro. Mas alega que tomou a decisão por motivos de segurança. A intenção foi evitar a entrada de pessoas estranhas à empresa, as quais poderiam manter contato com produtos químicos perigosos. A empresa afirmou que poderá rever sua posição, caso haja uma decisão contra a construção do muro.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) iria se informar sobre o caso para só depois se pronunciar a respeito.


