Paulo WolfgangHaja paciência!Maria Filomena, 76 anos: dores no peito e bolachas de almoço‘‘Acordei muito mal, com fortes dores no peito e na coluna. Fomos para o Hospital Universitário (HU) de táxi. Chegamos no pronto-socorro um pouco antes das 11 horas. O tempo foi passando, passando, e nós de molho, esperando sentadas. O médico só começou a me atender às 22 horas. Fui liberada às 23 horas. Chegamos em casa, de volta, perto da meia-noite, quase mortas de cansaço.’’
A reclamação contra a demora no atendimento pelo HU (hospital público estadual), é da aposentada Maria Filomena da Conceição, 76 anos, que sofre de diabetes e usa marcapasso - aparelho elétrico que controla o funcionamento do coração - há 12 anos. Ela procurou o HU na quarta-feira passada.
Viúva, com quatro filhos e seis netos, ela conta que foi ao HU acompanhada da empregada doméstica Kelly Alves de Andrade. ‘‘Fui ao HU porque há dias que vinha sentindo dores no peito e fiquei preocupada com o meu coração. Ficamos o dia inteiro sem almoço, sem jantar; passamos a bolachas e água. Minhas pernas ficaram inchadas de tanto tempo sentada. O atendimento médico foi bom, fizeram até o raio-X. O problema foi a espera’’, ressalta Maria Filomena.
A aposentada conta que outros pacientes esperaram tanto ou mais que ela pelo atendimento no pronto-socorro do HU na quarta-feira. Ela viu a sala de espera - onde cabem cerca de 20 pessoas - encher e esvaziar várias vezes durante a tarde e a noite. O pessoal do atendimento alegava que o hospital estava superlotado. Maria Filomena foi atendida durante cerca de uma hora. ‘‘O médico foi muito atencioso. Mediu a pressão e receitou aumento na dosagem do remédio que já vinha tomando. Agora, estou melhor.’’
Outro que estranhou a demora no atendimento foi o metalúrgico Edenilson de Oliveira. ‘‘Fui levar um amigo que estava com dores no rim. Chegamos às 18h30 e saímos as 20 horas, sem que ele tivesse sido atendido. Na sala de espera encontrei a dona Maria Filomena e outros pacientes que esperavam há horas. Fiquei revoltado, ameacei ligar para a imprensa e levei o meu amigo para ser atendido em outro hospital.’’
Segundo ele, havia às 20 horas um paciente chamado Davi Raimundo de Carvalho que esperava por atendimento no pronto-socorro do HU desde as 6 horas. ‘‘O rapaz tinha vindo de perto de Tamarana e estava mal, com dores de cabeça e vômitos. Não tinha muita gente na sala de espera, mas a demora era demais. Estranhei, porque vou ao HU há muitos anos e nunca tinha visto uma situação tão difícil. Alguma coisa anda errada e precisa de urgente solução lá no HU’’, avalia o metalúrgico.
O diretor clínico e superintendente interino do HU, Sylvio Villari Filho, reconhece a demora no atendimento e concorda que muita coisa precisa ser melhorada no hospital da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Nosso pronto-socorro é acanhado e vive superlotado por pacientes que não necessitam de atendimento de emergência ou urgência. Por isso, a demora é inevitável. Quando o caso é grave, o atendimento é imediato; mas nos outros casos, a demora é certa e os pacientes necessitam mesmo ter muita paciência.’’
Ele informa que o PS - que conta com seis médicos e 12 residentes - atende, em média, de 6 a 7 mil pessoas por mês. O atendimento é pelo SUS, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Além disso, o HU - que dispõe de 274 leitos - faz cerca de outros 10 mil atendimentos ambulatoriais por mês. No ano passado foram atendidos, no total, mais de 210 mil pacientes vindos de quase 200 municípios do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
‘‘Para manter nosso hospital com serviços de ponta e com a qualidade de atendimento que a população merece, necessitamos de uma ampla reforma e ampliação. Isso custaria cerca de R$ 30 milhões, recursos que há anos solicitamos ao Governo do Estado sem sucesso’’, explica Sylvio Villari Filho. ‘‘Enquanto esta ampliação não vem, é necessário que a população se conscientize que só deve procurar o HU em caso grave. Em outras situações, para uma primeira avaliação, é importante que os pacientes sejam encaminhados para os postos de saúdes e hospitais menores, que também contam com bons médicos. Só assim conseguiremos diminuir tempo de espera no HU.’’

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