Aposentada desabafa: Não acredito
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sábado, 21 de dezembro de 1996
Carina Paccola 
Receber o tão esperado 13º salário não foi tarefa das mais agradáveis para os funcionários públicos de Londrina. A agência Centro do Banestado, onde a maioria recebe o benefício, foi tomada por filas ontem. O tempo médio de espera foi de duas horas.
A funcionária da Epesmel Lídia Cleuza de Castro saiu do trabalho às 10h30 e foi ao Centro. Por volta do meio-dia, ela e dezenas de pessoas aguardavam a vez sob o sol, enfileiradas no Calçadão.
Ao ver a quantidade de gente nas filas, uma funcionária aposentada da Universidade Estadual de Londrina, Eunice Carvalho, entrou na agência gritando: Eu não acredito, não acredito. Vou viajar às duas da tarde e não vai dar para entrar nessa fila. Vou ver se consigo trocar o cheque em outro lugar.
Auxiliar de enfermagem do Hospital Universitário, Edivânia Leiria Siconato reclamava de discriminação. Os correntistas ficam sentados esperando a vez, enquanto nós ficamos em pé, com menos caixas para nos atender, disse. Trabalhei à noite, estou há quase duas horas na fila.
A funcionária de um posto de saúde do jardim do Sol, Leonilda Garcia Zacarias, aguardou o atendimento por mais de duas horas. Vou trabalhar daqui a pouco. Nunca demorou tanto.
Aparecida Moraes, esposa de um funcionário do HU, conta que havia enfrentado três horas na fila e depois teria que ir a outro banco. Num dia como o de hoje, eles precisam colocar mais caixas. Gestantes, mães com criança no colo e idosos também reclamaram. O caixa destinado para esse atendimento tinha fila de 17 pessoas.
O gerente administrativo da agência, Carlos Alberto Rezende, afirma que em dias de pagamento é normal a longa espera nas filas. Segundo ele, não é discriminação destinar filas especiais - com cadeiras - para os correntistas. Aqui é tudo separado. Tem um local para cada tipo de serviço. Rezende diz ainda não há razão para o banco contratar mais funcionários, já que são poucos os dias tão tumultuados. Os bancos não têm estrutura para atender tanta gente. Se contratar mais pessoal, nos outros dias esses funcionários ficariam ociosos. A solução seria distribuir o pagamento em vários dias.


