Um espesso espelho d'água começa a mudar o cenário, até então desolador, dos lagos Igapós 1 e 2, desde o ano passado vazios. Há uma semana duas comportas foram parcialmente fechadas inundando cerca de 20% da área dos dos dois lagos. Só desta forma os operários que trabalham nas reformas do Igapó poderão concluir os trabalhos de limpeza do fundo dos lagos, feitos com o auxílio de pequenos barcos. O secretário municipal de obras, Aloysio Crescentini de Freitas, mantém a programação da retomada total do enchimento dos lagos para a segunda quinzena deste mês.
Até dez dias atrás o Igapó 2 consistia em um grande buraco, tomado pelo lodo e o mato. Com a conclusão da segunda etapa das reformas construção da barragem e de um vertedouro no Igapó 2 , os lagos novamente poderão ser inundados. ''Até o final do mês os lagos já estarão totalmente cheios'', adianta Freitas.
Ontem ainda, operários faziam a retirada de restos de capim do fundo do Igapó 2. Com a chegada da água é possível também observar com maior frequência a presença das garças. Na sexta-feira serão abertos os envolopes com as propostas para a licitação de execução das obras da terceira fase da revitalização e urbanização do Igapó 2. Conforme Freitas, as obras estão orçadas em R$ 397 mil, e consistem na construção de uma pista de caminhada e iluminação dos arredadores do Igapó 2.
Ontem ainda, a Comissão Permanente do Igapó do Conselho Municipal do Meio Ambiente propôs uma resolução ratificando o decreto municipal de junho do ano passado que proibiu a prática de esportes náuticos nos lagos até a conclusão das obras de revitalização do complexo. A idéia, conforme o coordenador da comissão e diretor de fiscalização da Organização Não-Governamental Patrulha das Águas, João Batista Moreira Souza, é possibilitar a volta das lanchas e jets ski somente após a criação de uma regulamentação náutica para o Igapó.
Segundo Souza, as embarcações, principalmente as motorizadas contribuem para o processo de poluição dos lagos, através da turbidez geradas pelos motores e liberação de óleo. Para isso, a regulamentação viria definir regras para a utilização dos lagos para tais práticas, incluindo tipos de embarcações, distância das margens, a utilização de combustíveis não poluentes e horários para a prática de esportes náuticos. ''Vamos propor também a volta dos pedalinhos, pois possibilita um maior contato das pessoas com o lago'', explica Souza.
Até a atividade pesqueira também foi alvo das proposições da Comissão Permanente do Igapó. ''A idéia também é liberar a pesca somente mediante licença ambiental e com regras estabelecidas'', avalia o coordenador da comissão. A regulamentação náutica para o Igapó também é defendida pelo secretário municipal de obras. ''É preciso definir regras de uso dos lagos antes de liberar a sua utilização'', destaca Freitas.

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