Após tumulto, colégio em Cambé retoma aulas
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Ainda sob um clima de tensão, alunos e professores do Colégio Estadual Antônio Raminelli, localizado no Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), retornaram ontem para as aulas, que estavam suspensas desde a tarde da última quinta-feira pelo Núcleo Regional de Educação (NRE). Na semana passada, houve tumulto no local depois que uma liminar determinou a volta da diretora Teresinha Delfini ao cargo.
A decisão desagradou os alunos, que realizaram um protesto no qual um policial militar foi agredido com uma tijolada. Estudantes do período noturno teriam quebrado portas e janelas da instituição. Ontem, a dona de casa Neuza da Silva, que mora nas cercanias da escola, comentou que temia por seu filho de 17 anos, que cursa o 3º ano do Ensino Médio no período noturno no colégio. ''À noite, estuda gente mais velha, tem até adultos. É um pessoal mais perigoso e eu tenho medo de que possa acontecer alguma coisa. Este bairro já é violento'', disse ela.
Um aluno de 12 anos, estudante da 5 série, manifestou preocupação semelhante. ''O pessoal da noite vem com canivete, tijolo. A gente fica com medo de que tenha mais confusão''. Um funcionário ouvido pela Folha disse que não houve alteração no movimento da escola: ''Pouca gente faltou''.
Delfini, que é diretora do colégio há dez anos, foi acusada por alunos de ter comprado votos para se reeleger no pleito realizado em fevereiro. A secretaria de estado da Educação (Seed) anulou o resultado e chamou uma nova eleição para o próximo dia 13. Ontem, uma equipe da Seed vinda de Curitiba tomou os primeiros depoimentos para a sindicância que investiga a denúncia de compra de votos.
Segundo Rony dos Santos Alves, chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), os responsáveis pela investigação devem apresentar um relatório dentro de 15 dias.
Ontem, a diretora não foi ao colégio. Ela disse que temeu que sua presença pudesse motivar novo tumulto. ''Eu não quero colocar ninguém em risco e espero que tudo se resolva da melhor forma possível'', justificou Delfini. Ela citou que pediu para que a Polícia Militar dedicasse maior atenção à escola nesta semana. No colégio, estudam mais de 1.200 alunos.


