Após seis anos, Rolândia volta a registrar morte por dengue
Vítima é um jovem de 16 anos sem doenças associadas; confirmação foi apresentada no boletim da Sesa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de março de 2020
Vítima é um jovem de 16 anos sem doenças associadas; confirmação foi apresentada no boletim da Sesa
Pedro Marconi - Grupo Folha
Sessenta e nove pessoas já perderam a vida no Paraná por causa da dengue desde agosto de 2019. Boletim divulgado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) nesta terça-feira (31) mostra que o Estado confirmou mais 12 óbitos em decorrência da doença em relação ao levantamento da semana passada. Entre eles, estão de uma criança de oito anos e um adolescente de 16 anos.
A vítima fatal de 16 anos é de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). O rapaz não tinha doenças associadas, morreu em janeiro e a confirmação da causa ocorreu após análise de um comitê intermunicipal. “Foi caracterizado como dengue por um fechamento clínico-epidemiológico, já que não havia sido coletada sorologia. Ele apresentou um sangramento muito volumoso”, explicou Rafael Dias, coordenador de Vigilância em Saúde de Rolândia.
De acordo com Dias, quando o jovem procurou a UBS (Unidade Básica de Saúde) os sintomas não foram enquadrados como dengue e por isso não foram solicitados exames pela equipe. “Foi acompanhado pelo serviço de saúde, atendido duas vezes com quadro de febre. No dia do óbito a mãe reparou que ele estava com problema às 7h e procurou a unidade por volta das 9h. Ele apresentava sangramento, o médico foi acionado, entretanto, não conseguiu estabilizar”, apontou. A última morte por dengue no município foi em 2014.
No bairro onde vivia foram registrados muitos casos de dengue. O coordenador afirmou que cerca de 85 servidores continuam fazendo trabalho de campo para eliminação dos focos do mosquito Aedes aegypti, porém, a falta de inseticida tem prejudicado. “O agente faz o bloqueio mecânico e o correto seria termos a bomba costal ou o fumacê para o abate do mosquito alado, pois, a fêmea procura outros locais. O governo federal prometeu para março, mas não chegou. O veneno não é a solução, porém, é uma ferramenta que auxilia muito.”
Com 80% dos focos sendo identificados nos imóveis, a prefeitura está autuando quem não faz a limpeza das localidades. Em dois meses de fiscalização com autuação já foram lavrados R$ 60 mil em multas. De acordo com a Sesa, Rolândia registrou 305 casos de dengue.
SARANDI
A criança de oito anos, que também morreu em decorrência da dengue, morava em Sarandi (Noroeste). O garoto não tinha outro tipo de problema de saúde. De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica do município, Ayla Veiga, a família levou o menino para ser atendido em outra cidade. Entretanto, ele morava em Sarandi e faleceu em casa, em fevereiro. A investigação foi feita pela Sesa.
“Em janeiro, fevereiro e começo de março tivemos o pico da doença. Os casos estão caindo, porém, ainda temos notificações e pacientes com suspeita. É necessário que os cuidados com a dengue continuem e redobrado, já que as pessoas estão em casa por conta do coronavírus e acabam produzindo mais lixo”, apontou a enfermeira.
A cidade chegou a ter uma UBS (Unidade Básica de Saúde) atendendo em horário estendido e exclusiva para casos relacionados à dengue durante o período de maior demanda. “Os casos são em todos os bairros. Começaram na parte norte, mas logo se estenderam para a sul”, afirmou. Sarandi tem ao todo três óbitos pela doença, todos registrados em fevereiro.
NO ESTADO
Das novas vítimas fatais, seis eram do sexo feminino, oito tinham 60 anos ou mais e sete possuíam algum tipo de comorbidade. Além de Rolândia e Sarandi, as mortes foram registradas em Florestópolis, Centenário do Sul, Primeiro de Maio, Foz do Iguaçu, Cascavel, Barbosa Ferraz, Atalaia, Juranda, Itaúna do Sul e Medianeira.
O boletim divulgado pela Sesa nesta terça aponta que são 87,9 mil casos confirmados de dengue (desde agosto de 2019) - 14,67% a mais do que no informe anterior. Em sete meses, levando em conta o início do atual ciclo epidemiológico calculado pela Sesa, são 204.807 notificações da doença em 364 cidades, com 177 municípios em epidemia e outros 32 em alerta. Em 2018, por exemplo, o Paraná registrava neste mesmo período do ano somente 2.023 confirmações de dengue. Em Londrina são 7.789 casos.