Após revolta, crianças limpam escola
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Ontem foi dia de mutirão de limpeza na Escola Oficina (zona norte de Londrina). Nos dois dias anteriores a instituição tinha sofrido depredações por parte dos alunos que estavam revoltados com a interrupção das aulas. A escola foi encampada pela prefeitura após uma auditoria ter descoberto supostas irregularidades na gestão dos recursos pela direção anterior. Os estudantes decidiram continuar frequentando o espaço e a nova coordenação propôs que eles participassem da faxina geral.
O estudante A.R.T., 14 anos, está na Escola Oficina há três anos e garantiu que não participou dos atos de vandalismo. Ele afirmou que o tumulto aconteceu porque os alunos temiam que a instituição fosse fechada. ''A escola é muito importante para nós. Na rua eu cheirava cola e se a escola fechar vou ter que parar de estudar para ajudar meu pai (que é catador de papel).'' Na escola, o adolescente aprendeu a gostar de arte. Ele reclamou que vai sentir saudades dos antigos educadores e gostaria que eles continuassem na instituição.
A nova coordenadora da Escola Oficina, a pedagoga Nanci Fátima Camargo, disse entender a reação dos alunos. ''Eles estavam rebeldes por conta da mudança. Foi uma reação normal, a forma que encontraram para dizer que o espaço era deles. Agora, perceberam que não estamos querendo tomar nada'', avaliou. Ela garantiu que a nova coordenação ''tem pressa'' em fazer com a escola retome seu ritmo normal e estimou que isso deve acontecer antes do prazo de 10 dias (a contar da última quarta-feira), definido pelo município.
A instituição atende 70 crianças e adolescentes em situação de risco e a intenção é aumentar o atendimento. Ela disse ainda que boa parte dos professores e educadores, que acertaram permanência com a prefeitura, continuará trabalhando.
A encampação da Escola Oficina foi oficializada no início do mês, quando também foi anunciada a extinção da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), ex-mantenedora da instituição, que estaria com uma dívida de R$ 100 mil com o município, decorrente do mau uso do dinheiro público. A direção da Acalon contesta a avaliação.


